Inspetoria São Domingos Sávio

A semente produziu bons frutos

Dom Walter Ivan Azevedo, SDB

Um francês que visitou o Alto Rio Negro nos fins do século XIX escreveu: “É uma região desabitada e inabitável”.

Não foi esse o parecer do padre João Bálzola, o primeiro salesiano que percorreu a remo a região e fundou nela, em 24 de maio de 1915, a missão de São Gabriel da Cachoeira, inaugurando assim a presença salesiana na Amazônia. Deixou escrito: “É um vasto campo de apostolado. As dificuldades não impedirão a realização de uma grande obra de civilização cristã”.

Após a morte do primeiro prelado do alto rio Negro, monsenhor Lourenço Giordano, o bispo seu sucessor, dom Pedro Massa, que governou a prelazia, mais tarde diocese do rio Negro, de 1923 a 1968, percebeu que toda obra apostólica e humanitária na região devia apoiar-se em três centros: a igreja, o hospital e a escola. A igreja, pois estávamos lá para evangelizar. O hospital, porque as frequentes epidemias dizimavam a população indígena e ribeirinha na época. As irmãs salesianas, chegadas em 1923, cuidaram durante decênios dos hospitais construídos em cada centro missionário. A escola, porque os índios e os caboclos ribeirinhos, uma vez instruídos, deixaram de ser explorados como antes pelo homem branco invasor.

Bem cedo, e notadamente a partir das décadas de 1980 e 1990, a diocese e os salesianos adotaram como programa de ação “formar o indígena para que trate com o homem branco de igual para igual e seja o autor do próprio progresso tanto material, como intelectual e espiritual”.

Hoje o Alto Rio Negro é uma das regiões indígenas mais escolarizadas da Amazônia; os próprios índios e índias são os professores dos colégios das missões, inclusive ocupando alguns o cargo de diretor ou diretora. Quanto ao progresso espiritual, não só a vida cristã de cada aldeia é assegurada desde longa data pela presença de catequistas locais, mas os primeiros padres indígenas, tanto diocesanos como salesianos, já estão evangelizando na sua área nativa e novos seminaristas surgem a cada ano.

Isso prova que Deus chama em toda a parte seus colaboradores, também na floresta tropical, de qualquer etnia ou condição social.

O suor e o sacrifício dos pioneiros não foram em vão.

Escrevi um dia no livro Pinceladas de luz na floresta amazônica (Edições Paulinas) que “a natureza da Amazônia nos enche de admiração e nos causa vivo prazer estético ao contemplá-la. O poeta o sente, mas detém-se no prazer.

O biólogo vai mais além: descobre a imensa riqueza natural do ambiente ecológico e se esforça por conservar e desvendar ao mundo os tesouros da biodiversidade.

O etnólogo dá também mais um passo: busca os povos da Amazônia no afã louvável de abrir-se às suas culturas e penetrar seus segredos. Há os que nutrem verdadeiro interesse pela defesa e preservação dos povos por eles estudados. Outros, porém, uma vez recolhidos os dados e apresentados em uma tese de láurea... ‘adeus, índios! Para que os quero ver ainda?’

O missionário é o único que vem para ficar. Nos centros de Missão do rio Negro, o túmulo do missionário alveja ao lado do dos indígenas. Nem depois da morte os abandona. Pois ele os busca não com a curiosidade do turista, nem como simples objeto de estudo, mas como a um irmão muito amado, ao qual vem oferecer respeito e defesa e a parceria na salvação que Cristo veio trazer para todos.”

Dom Walter Ivan Azevedo é bispo emérito do Alto Rio Negro, atualmente colabora na formação na etapa do pós-noviciado no Centro Salesiano de Formação (CESAF) em Manaus, AM.

Atividades na Amazônia

Os salesianos da Amazônia estão presentes em três arquidioceses (Manaus, Belém e Porto Velho) e em três dioceses (São Gabriel da Cachoeira, Humaitá e Ji-Paraná). Estas seis circunscrições eclesiásticas, embora diferentes entre si, são consideradas missionárias em razão do escasso número de padres.

Na região, as atividades dos salesianos se dividem em:

Missões indígenas: presença em São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro e em mais seis comunidades indígenas e suas respectivas adjacências.

Ambientes populares: atuando em paróquias, localizadas nos interiores e nas capitais, especialmente em áreas ou bairros periféricos.

Juventude: com oratórios, obras sociais dedicadas às crianças e jovens carentes, colégios particulares, aspirantados e escolas conveniadas, inclusive em área indígena.

Dom Bosco

“O mundo nos acolherá sempre com prazer enquanto nossas solicitudes se dirigem as indígenas, aos meninos mais pobres, mais periclitantes da sociedade. Essa é para nós a verdadeira riqueza, que ninguém haverá de roubar.” (Memórias 1841-1886 – João Bosco, Scritti Pedagogici e Spirituali, LAS – Roma 1987. 352)

A inspetoria

Inspetoria São Domingos Sávio
(Inspetoria Salesiana Missionária da Amazônia)
Salesianos de Dom Bosco
Mais informações: www.isma.org.br
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Facebook: isaodomingossavio

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