Dom Bosco Hoje

A importância do oratório salesiano

Para Dom Bosco, o oratório era uma experiência de atividade com uma única finalidade: evangelizar educando e educar evangelizando.
Pe. Antonio Ribeiro, SDB

Uma das atividades mais significativas da missão salesiana é o oratório. A palavra oratório deriva do termo “oração”. Para o seu fundador, São Felipe Neri (1515-1595), em Roma, na Itália, a experiência do oratório era a prática da recreação em clima de família e seguro para as crianças, adolescentes e jovens após os momentos de oração. Um lazer sadio, educativo, em geral para os catequizandos e paroquianos.

Essa experiência, pouco a pouco, foi sendo imitada por outros sacerdotes ao longo dos séculos na Itália, até se tornar um patrimônio pastoral das instituições religiosas. Dom Bosco, que viveu em Turim três séculos depois (1815-1888), encontrou de modo popularizado essa experiência educativa voltada para as crianças, os adolescentes e os jovens em muitas dioceses, paróquias e instituições.

Todavia, sendo Dom Bosco profundo conhecedor da realidade de milhares de jovens pobres, imigrantes, sem paróquia, viciados, sem família, sem formação religiosa, abandonados e que vagavam pelas ruas de Turim (Itália), iniciou uma proposta de oratório completamente nova para eles: uma experiência aberta a todos, sem fronteira religiosa, com diversidade de propostas educativas. Aos poucos, passando por dias festivos e domingos, chegou ao tempo integral, cotidianamente. Surgia, então, uma nova Pastoral Juvenil, uma nova forma de evangelizar e educar os jovens, a partir do lazer.

Um oratório sem Deus não é oratório salesiano.

Fiéis à proposta de Dom BoscoDom Bosco foi um grande reformador do oratório, ampliando suas atividades e seu modo de organizá-lo, mas conservou a mesma finalidade educativo-pastoral. Para Dom Bosco, o oratório era uma experiência de atividade com uma única finalidade: evangelizar educando e educar evangelizando seus participantes, ou seja, conforme suas palavras: “Formar bons cristãos e honestos cidadãos”. Tratava-se da promoção da educação informal por meio do esporte, da recreação, da música, do teatro, da dança, da boa convivência, das atividades religiosas. Tudo de forma muito familiar e criativa! Do jeito dos jovens!

Portanto, um oratório sem educação e sem preocupação pastoral vira “bolatório” (lugar só de bolas, ou esporte). Isso Dom Bosco não queria. Um oratório sem Deus não é oratório salesiano; um oratório que não fala de Jesus Cristo não é oratório salesiano; o oratório onde não se anuncia a Palavra de Deus, onde não se fala de Nossa Senhora, onde não há um bom ambiente educativo e clima humano respeitoso, não é oratório salesiano. Não basta o lazer sadio.

Para sermos fiéis aos ideais de Dom Bosco, devemos preservar a identidade do oratório salesiano como espaço de promoção de atividades socioeducativas e evangelizadoras, por meio do esporte, da música, do teatro, da dança, da boa palavra, das boas amizades, dos grupos infanto-juvenis, da oração, das boas mensagens. Quem participa disso sabe como é tão agradável.

Do jeito dos jovensOs primeiros parceiros colaboradores de Dom Bosco foram os próprios jovens, como evangelizadores de outros jovens. Isso é o que os salesianos e as salesianas continuam a fazer. Por isso, é sempre uma necessidade capacitar novos jovens para que possam continuar esse maravilhoso serviço de lazer sadio, formação humana e evangelização criativa. Eis uma pequena contribuição preventiva à criminalidade juvenil.

Enfim, para que o oratório salesiano possa continuar com sua seriedade educativa e evangelizadora, é preciso contar com uma equipe séria, sensível, animada, criativa e estável de voluntários animadores. Os animadores do oratório salesiano são educadores e devem levar a sério a missão de educar e evangelizar os seus colegas. Em geral, o fazem com grande alegria. É uma linda experiência de voluntariado juvenil.

O Oratório da Missão Salesiana de Santa Isabel, do Rio Negro, no Amazonas, faz parte do cotidiano durante as tardes. Mas, às segundas, quartas e sextas-feiras, há especial participação de mais de 250 adolescentes e jovens, que à noite, por pouco mais de duas horas, se encontram para brincar, conversar, ouvir uma boa música e boas mensagens. Nesse período, os salesianos e colaboradores trabalham a prevenção contra os vícios, a violência e a criminalidade em geral. Pois é sabido que quando os jovens estão ocupados com o bem, ouvindo boas mensagens, permanecem bons e crescem sadiamente. Um incentivo às paróquias para estimular a promoção dessa opção para os jovens.

Padre Antonio de Assis Ribeiro, SDB, é coordenador da Comissão Nacional da Pastoral Juvenil Salesiana.

VOLTAR
AVANÇAR
© 2016 Copyright - Boletim Salesiano Brasil