Educomunicação

Comunicação e Educação Ambiental

Contribuir com a formação da consciência das crianças e adolescentes sobre a necessidade e a importância de limpeza como fator de saúde e bem-estar foi o objetivo do projeto realizado na Escola Municipal Prof.ª Myrthes Trigueiro, em Manaus, AM.
Inspetoria Laura Vicuña – BMA

A educação ambiental pode ser entendida como toda ação educativa que contribui para a formação de cidadãos conscientes da preservação do meio ambiente, e aptos a tomarem decisões coletivas sobre questões ambientais necessárias para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável. Dessa forma, sua aplicação não se restringe ao universo escolar, mas deve permeá-lo para facilitar o entendimento dessas questões e suas aplicações no dia a dia.

Foi com esta premissa que os professores do Ensino Fundamental da Escola Estadual Professora Myrthes Marques Trigueiro desenvolveram o projeto Comunicação e Educação Ambiental.

O conjunto desse trabalho, abraçado por toda a comunidade educativa, deu um novo rosto à escola.

A Escola Estadual está localizada no bairro do Coroado, zona leste de Manaus, AM, e é dirigida por irmã Jucileide Souza de Araújo, FMA, que trabalha a partir da pedagogia salesiana – “formar o bom cristão e o honesto cidadão” – unida à proposta apresentada pelo Estado. Há uma preocupação por parte da gestora em formar seus educadores na dimensão da educação salesiana, proposta esta muito bem aceita por todos, inclusive pelos professores não católicos.

Neste sentido, irmã Jucileide desenvolve juntamente com seus professores e equipe técnico-pedagógica projetos relevantes, como o projeto voltado para a educação ambiental – todo ele desenvolvido na ótica da educomunicação.

LegislaçãoSegundo a gestora, a Lei Federal 9.795, de 1999, que dispõe sobre a educação ambiental, instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental. O órgão gestor desta política, por ela estabelecido (Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Educação), recria, em 2003, o Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA). O ProNEA adota, então, como uma de suas linhas de ação, a “Comunicação para a Educação Ambiental” e a descreve como: “produzir, gerir e disponibilizar, de forma interativa e dinâmica, as informações relativas à Educação Ambiental”.

A existência de uma Política Nacional de Comunicação e Informação Ambiental é demandada desde a I Conferência Nacional de Meio Ambiente, realizada em 2003, quando delegados presentes no evento encaminharam uma moção solicitando ao Ministério do Meio Ambiente que se comprometesse a conduzir a tarefa.

Nesse contexto, a educomunicação socioambiental não responde a todas as necessidades de construção de uma política de comunicação ambiental. Mas corresponde à dimensão pedagógica dos processos comunicativos associados à questão ambiental que, na perspectiva do ProNEA, apresenta-se como competência em conteúdos de educadores e educadoras ambientais, bem como de todos os canais e atores da comunicação social do país.

EnvolvimentoNessa dimensão, toda a comunidade educativa se envolveu direta ou indiretamente. A escola levou a efeito o projeto de educação ambiental que objetivou construir e internalizar práticas de limpeza, ordem e conservação nos vários ambientes em que cada um se encontra, desde a própria casa, na sua higiene pessoal, aos espaços da sala de aula e arredores da escola.

Essa atividade fluiu de forma tão natural que fez as 16 turmas do Ensino Fundamental desenvolverem ações como: conservar a limpeza do uniforme escolar, a própria aparência, não deixar lixo no pátio, evitar sala de aula desorganizada, manter mesas e cadeiras limpas e diminuir a quantidade de lixo nas salas de aula.

O conjunto desse trabalho, abraçado por toda a comunidade educativa, deu um novo rosto à escola. É comum pessoas chegarem e elogiarem por perceberem que a escola conserva-se sempre limpa e agradável.

Desenvolvimento do projetoO suporte da educomunicação nesse projeto foi de fundamental importância considerando o fato de se educar a pessoa como um todo: aprender a direcionar o conhecimento com profundidade e a estabelecer inter-relações com o universo; aprender a trabalhar em equipe; aprender a conviver, desenvolver as próprias capacidades e compartilhá-las com os demais, realizando projetos comuns que propiciem a solidariedade, o humanismo, o pluralismo, a paz, o bem-estar.

Esta experiência foi desenvolvida em três etapas distintas: a primeira foi a de conscientização, feita por meio de palestras, estudo de grupos, documentários, mesas-redondas e seminário. Esta fase foi concluída dentro de aproximadamente um mês de trabalho, desenvolvido por um grupo de professores das mais diversas áreas e de alguns profissionais da saúde.

A segunda etapa foi a do desenvolvimento propriamente dito do projeto, que perdurou por cerca de sete meses de intensa atividade. E a terceira etapa incluiu a avaliação e os encaminhamentos para a manutenção do projeto, que deverá perdurar, e por fim, a divulgação dos resultados.

ResultadosO ponto relevante nessa experiência no enfoque da educomunicação é justamente cooperar para o surgimento de um novo paradigma discursivo transversal, constituído por conceitos transdisciplinares com novas categorias analíticas.

Finalizando a descrição podemos afirmar que o trabalho desenvolvido na questão da educação ambiental colaborou para manter o ambiente escolar limpo e agradável a todos. Pais e visitantes logo perceberam o sucesso do projeto.

Mesmo a escola estando em reformas estruturais, tem a visibilidade de conservada e organizada. Os alunos mostraram-se mais cuidadosos na ordem pessoal e em relação aos ambientes escolares e, com isso, o grande ganho foi a facilitação do ensino e da aprendizagem, que fluiu de forma mais rápida, consistente e agradável.

Projeto originalmente publicado em Educomunicando, abril de 2015, ano 2, nº 4.

Educomunicando

Educomunicando é o nome da revista produzida pela ECOSBRASIL – Equipe de Comunicação Social do Brasil das Filhas de Maria Auxiliadora.

A revista, que já está em seu número 4, traz em cada edição exemplos de experiências educomunicativas bem-sucedidas no Brasil e um texto de reflexão sobre a Educomunicação. Confira a edição digital.

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