Após o Angelus de domingo, 6 de setembro, o Papa Francisco dirigiu um apelo pelos migrantes: “Faço um apelo às paróquias, comunidades religiosas, os mosteiros e santuários em toda a Europa, que expressem a concretude do Evangelho e acolham uma família de refugiados”. Motivados pelo Sumo Pontífice, o Reitor-mor dos Salesianos, padre Ángel Fernández Artime, e a Superiora das Filhas de Maria Auxiliadora, madre Yvonne Reungoat, dirigiram um apelo evocando a cooperação de toda a Família Salesiana em favor dos migrantes e refugiados.
“Faço um apelo às paróquias, comunidades religiosas, os mosteiros e santuários em toda a Europa, que expressem a concretude do Evangelho e acolham uma família de refugiados” (Papa Francisco)
Em sua carta, o Reitor-mor pede aos inspetores salesianos que avaliem o que as suas inspetorias podem fazer em prol dos migrantes: “Dirijo-me a vocês, inspetores, para pedir, em caráter de urgência, que avaliem, com seus conselhos, o que cada inspetoria pode fazer e o que pode solicitar a cada comunidade e paróquia, no sentido de disponibilizarem-se para acolher, em nossas obras, famílias de migrantes; em particular, aos menores não acompanhados e jovens. Hospedemos, nem que seja uma só família, quatro ou cinco pessoas; com um pouco de cada, faremos muito, em cooperação com igrejas locais e do território”, solicita.
Respostas concretasPadre Ángel também lembra as palavras do Papa Francisco sobre os salesianos “Dom Bosco, cujo bicentenário do nascimento concluímos recentemente, nos ensina a concretude das respostas. Isso também nos recordou o Papa Francisco em sua visita em Valdocco, no dia 21 de junho: ‘Obrigado por sua concretude das coisas...’ O salesiano é concreto, vê o problema, pensa e o toma em suas mãos”.
Em nome da caridade e da fraternidade evangélica, diz o reitor-mor no final de sua carta, “como uma resposta ao chamado de Deus e ao clamor do Papa Francisco, agradeço pela generosidade com que mobilizarão todos os recursos possíveis em favor daqueles que, com urgência, nos dirigem um apelo premente. Agradeço-lhes também se me informarem o que foi estabelecido em cada inspetoria, quando chegarem a conclusões concretas e tempestivas”.
Não podemos fechar nosso coraçãoJá madre Yvonne se dirige, em especial, às irmãs salesianas: “Não podemos fechar nosso coração diante do sofrimento indescritível de famílias, crianças, mulheres que estão procurando um lugar que as receba e uma luz de esperança. O apelo do Papa é, para todas nós, um chamado de Deus que vem a nós pela voz e coração de nosso primeiro Superior (cf. Const. Art. 109)”.
Na carta, madre Yvonne ressalta ainda “o momento histórico sem precedentes que nos compromete profundamente pelo doloroso sofrimento de tantas pessoas” e recorda o forte apelo feito pelo Papa a paróquias, comunidades religiosas, mosteiros e santuários. Por isso, a madre repete às suas irmãs: “Convido-vos a encontrar um meio de coordenação para agir em sinergia e entrar em contato com pessoas e autoridades competentes. Tudo nos leva a realizar gestos concretos para acolher uma família de migrantes, crianças não acompanhadas, jovens ou mães com crianças”, conscientes de que “hoje Jesus tem, para nós, o rosto dos migrantes”.
Lembrando da possibilidade de colaboração com os outros grupos da Família Salesiana e em particular, com os irmãos salesianos, ex-alunas/os, Salesianos Cooperadores e colaboradores leigos nas comunidades educativas, madre Yvonne Reungoat concluiu: “Durante o Capítulo Geral XXIII resolvemos prestar uma atenção especial aos migrantes de todo o mundo. Agora a hora é favorável! (...) Maria Auxiliadora, Dom Bosco e Madre Mazzarello nos ajudem a dar rapidamente uma resposta concreta às necessidades destes nossos irmãos e irmãs”.
O apelo do Papa Francisco em favor dos migrantes foi noticiado em todo o mundo, e suscitou ações de solidariedade e fraternidade. “A Misericórdia de Deus”, disse o Papa Francisco em 6 de setembro, “é reconhecida por meio do nosso trabalho, como testemunhou a vida da beata Madre Teresa de Calcutá, cujo aniversário da morte lembramos ontem. Diante da tragédia de dezenas de milhares de refugiados que fogem da morte na guerra e da fome, a caminho para uma esperança de vida, o Evangelho nos chama a sermos ‘próximos’ dos menores e dos abandonados e a oferecer-lhes uma esperança real. Não basta dizer: ‘Coragem, paciência ...!’. A esperança é combativa, com a tenacidade de quem vai a um destino seguro. Portanto, nas imediações do Jubileu da Misericórdia, faço um apelo às paróquias, comunidades religiosas, os mosteiros e santuários em toda a Europa, que expressem a realidade do Evangelho e acomodem uma família de refugiados. Um gesto concreto em preparação para o Ano Santo da Misericórdia”.
“Que cada paróquia, reiterou o Papa, cada comunidade religiosa, cada mosteiro, cada santuário, hospede uma família da Europa, começando pela minha diocese de Roma. Dirijo-me a meus irmãos bispos da Europa, verdadeiros pastores, para que em suas dioceses apoiem este meu apelo, lembrando que a Misericórdia é o segundo nome do amor”.
O Arcipreste da Basílica de São Pedro, o cardeal Angelo Comastri, informou que, imediatamente após o apelo do Papa Francisco, o Vaticano iniciou os preparativos para disponibilizar dois apartamentos a duas famílias de refugiados, às quais o Santo Padre garantirá assistência sanitária e material.