Especial

Natal: alargar o horizonte e preparar a vinda do Senhor

O Advento marca o início do ano litúrgico e é o tempo de espera e preparação para o Natal do Senhor. Nesse período, o Papa Francisco nos convida a termos o coração aberto para receber as novidades que a vida nos traz.

Alargar o horizonte e sair da zona de conforto para receber as novidades que a vida nos traz: esse foi o convite feito pelo Papa Francisco no dia 27 de novembro, primeiro domingo do Advento. “Somos chamados a alargar o horizonte do nosso coração, a fazermo-nos surpreender pela vida que se apresenta em cada dia com as suas novidades. Para fazer isso é preciso aprender a não depender das nossas seguranças, dos nossos esquemas consolidados, porque o Senhor vem na hora em que não imaginamos. Vem para introduzir-nos numa dimensão maior e mais bela”, afirmou o pontífice.

Francisco ressaltou que o tempo do Advento marca a espera do nascimento de Jesus como “um novo caminho de fé em que o povo de Deus vai ao seu encontro e Ele vem até nós”. O Papa falou das contínuas vindas do Senhor até nós, no passado, no presente e no futuro, segundo o Evangelho de Mateus.

“A partir desta perspectiva, surge também um convite à sobriedade, a não nos deixarmos dominar pelas coisas deste mundo, pelas realidades materiais, mas sim a governá-las”, afirmou. Segundo ele, quando nos deixamos condicionar e dominar pelos bens materiais, não conseguimos perceber algo muito mais importante, que é o encontro com o Senhor que vem para nós. “É um convite à vigilância, porque não sabendo quando Ele virá, é preciso estar sempre prontos para partir”, considerou.

Somos chamados a alargar o horizonte do nosso coração.

O que é o AdventoA palavra Advento vem do latim, e quer dizer “vir, chegar”. Esse período de preparação para o Natal — a vinda do Senhor — marca o início do ano litúrgico e está dividido em duas partes: nas primeiras duas semanas, a reflexão é sobre a vinda do Senhor quando ocorrer o Juízo Final; as duas semanas seguintes são dedicadas ao nascimento do Menino Jesus.

Nas igrejas e em muitas casas é colocada a coroa do Advento, com quatro velas, acendidas uma a cada domingo. Nesse período, os paramentos religiosos mudam para a cor roxa e, na liturgia da missa, são retirados alguns elementos festivos, como o hino do Glória.

São quatro semanas em que os cristãos devem viver de maneira mais profunda a sua fé, a oração, a caridade e a busca por seguir o caminho de Jesus Cristo em direção ao Reino. O tempo do Advento é de esperança por aquele que virá, trazendo um novo jeito de ver o mundo; é um tempo de conversão, de mudança de vida; e de preparação para o Natal do Senhor.

Natal de féA cada ano, para todos que n’Ele creem, o Senhor renasce no Natal. Essa é uma festa alegre, para compartilhar com a família e os amigos a novidade: “A Palavra se fez homem e habitou entre nós” (Jo 1,14). No Natal, as casas e ruas são iluminadas, para lembrar que naquele dia nasceu a Luz do mundo, que veio para nos salvar. E ele chegou como um Menino, uma criança que precisou ser protegida e amada, como tantas outras também precisam hoje de nosso amor e proteção.

O Natal, desde sua preparação até a festa propriamente, é todo voltado para o que nos trouxe e o que nos ensinou o aniversariante, Jesus Cristo. Mas para perceber isso, é preciso estar, como nos pede o Papa Francisco, com o coração aberto para as novidades que a vida nos traz.

Saiba mais sobre os símbolos do Natal

Deixemos toda a pressão da sociedade de consumo de lado: qual é o significado real da troca de presentes no Natal? Por que as famílias se reúnem para uma ceia? E por que um dos símbolos mais conhecidos dessa festa é uma árvore enfeitada? Conhecer os símbolos do Natal e o seu significado nos ajuda a celebrar verdadeiramente esse grande acontecimento para a humanidade: o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Presépio. O costume de representar a Sagrada Família no momento do nascimento de Jesus, com o Menino em uma manjedoura, ladeado por São José e Nossa Senhora, é muito antigo. A origem está em uma encenação montada em 1223, por São Francisco de Assis. Para auxiliar o povo a compreender o contexto do Natal, ele montou um cenário vivo para uma pregação sobre o tema. A repercussão foi tão grande que iniciou a tradição das famílias de montarem presépios com figuras de barro. No Brasil, o primeiro presépio foi apresentado aos indígenas em 1552, pelo padre José de Anchieta.

Árvore. O pinheiro tem uma característica muito especial: mesmo no Hemisfério Norte, onde dezembro é mês de inverno rigoroso e neve, ele nunca perde as folhas. Mantém-se verde, vivo. Para os cristãos, o verde constante do pinheiro representa a esperança, a alegria e a vida nova que nascem com Jesus Cristo. Muitas famílias têm o costume de enfeitar a árvore de Natal em conjunto, no primeiro domingo do Advento. Cada membro da família coloca uma peça, faz a sua parte na preparação da grande festa do nascimento de Jesus. A data certa para desfazer a árvore é o dia 6 de janeiro, quando são celebrados os Reis Magos.

Estrela de Belém. Os três Reis Magos, Belchior, Baltazar e Gaspar, foram guiados até o local do nascimento de Jesus por uma estrela. Antigamente, acreditava-se que fenômenos celestes estavam associados ao nascimento de um rei. A Estrela de Belém é representada com quatro pontas, que representam os quatro cantos do mundo dos quais partem os seguidores de Cristo, e uma cauda, como a de um cometa, que significa a caminhada, o percurso para chegar a Jesus.

Guirlanda. Uma coroa feita com ramagens entrelaçadas, enfeitada com flores e frutas: essa é a guirlanda mais tradicional, colocada na porta das casas durante o período do Advento. Na Roma antiga, oferecer uma coroa de ramos verdes significava o desejo de vida longa, saúde e felicidade para aquele que a recebia. Com a guirlanda, desejamos todos esses sentimentos bons aos que batem à nossa porta.

Ceia. A Ceia de Natal está provavelmente ligada à última ceia de Cristo com os apóstolos. Porém, ao longo da história, ganhou também outros significados. Atualmente, a ceia é o momento de reunir a família e todos que a visitam nessa data especial. A fartura de comes e bebes está ligada à tradição de receber bem os visitantes, servindo o que há de melhor. Mas isso não deve ser confundido com ostentação e desperdício.

Presentes de Natal. Hoje, eles são relacionados ao consumo desenfreado, que nessa época do ano ganha proporções imensas. Muitas pessoas fazem dívidas para comprar coisas caras, gastam o que não têm, se esforçam para adquirir tudo o que desejam — e que nem sempre precisam. A origem dessa tradição mostra que a troca de presentes no Natal é importante sim, mas não tem nada a ver com o valor dos bens materiais.

Os três Reis Magos atravessaram o deserto para levar ao Menino Jesus os seus presentes: ouro (símbolo da realeza), incenso (reconhecendo a sua divindade) e mirra (usada para untar os mortos, significando que Jesus também experimentaria a morte, como todos os homens). Por isso, não importa se o presente é caro ou barato, se é grande ou pequeno, se é para alguém da família, para um amigo próximo ou uma doação para um desconhecido. O que fazemos no Natal é repetir o gesto dos Reis Magos: oferecemos o presente como uma retribuição, um reconhecimento de que aquela pessoa é única e especial, pois nela percebemos a presença de Deus.

VOLTAR
AVANÇAR
© 2016 Copyright - Boletim Salesiano Brasil