No dia 4 de setembro, o mundo católico comemorou a canonização de Madre Teresa de Calcutá. O Papa Francisco, em Roma, diante de milhares de pessoas na Praça São Pedro, no Vaticano, afirmou que Teresa “se ajoelhando diante dos que foram deixados para morrer nas margens das estradas, enxergou neles a dignidade dada por Deus”.
A emoção e a alegria entre os fiéis eram nítidas, e pessoas de todo o mundo, religiosos ou não, emanavam da mesma fé, como o grupo da 147ª Expedição Missionária Salesiana que esteve presente na Praça São Pedro.
Mas foi a cerca de 8.804 quilômetros do Vaticano que, em Manaus, AM, um salesiano lembrava, com emoção, de seu encontro com Madre Teresa.
Sua humilde e irrenunciável tarefa era levar as pessoas a se encontrar com Deus e levar Deus a todas as pessoas.
“Faz mais ou menos 19 anos que tive a oportunidade de encontrar uma pessoa extraordinária: Santa Teresa de Calcutá! Foi em Roma, quando eu estava cursando o último ano de Teologia. Durante o encontro, na casa das Irmãs da Caridade, conversamos longamente com ela! Não havia outras pessoas, somente nós, salesianos, e ela”, contou o inspetor da Inspetoria Salesiana Missionária da Amazônia, padre Francisco Alves de Lima.
O padre continuou: “Com amabilidade e profundidade, ela nos falou da sua vida, vocação e, sobretudo, dos seus pobres. Ela nos explicou, juntando as duas mãos em uma atitude de oração, que a sua humilde e irrenunciável tarefa era levar as pessoas a se encontrar com Deus e levar Deus a todas as pessoas”. Segundo o padre inspetor, impressionava a força de suas palavras, o brilho dos seus olhos, sua face enrugada e bela! “Anos depois, quando li suas cartas, pude entender que estive próximo de uma grande mística e pessoa devotada aos últimos. No final do encontro ela nos presenteou com um largo sorriso, um aperto de mão e uma pequena medalha de Nossa Senhora”, contou padre Chicão, como é carinhosamente chamado.
É com as mesmas impressões de padre Chicão que muitas pessoas levam consigo seu exemplo de mulher humilde, forte, guerreira, caridosa e encontram em Madre Teresa de Calcutá um sentimento muito além de um exemplo.
“A misericórdia foi para ela o ‘sal’, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento”, disse o Papa Francisco na missa de canonização de Madre Teresa de Calcutá, celebrada dia 4 de setembro, na Praça São Pedro, no Vaticano. Participaram da celebração cerca de 120 mil fiéis de diversos lugares do mundo.
Em sua homilia, Francisco afirmou que madre Teresa “inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem sua culpa diante dos crimes e da pobreza criada por eles mesmos”.
Agnes Gonxha Bojaxhiu, o verdadeiro nome da Madre Teresa, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979, nasceu no dia 26 de agosto de 1910 em Skopje, capital da atual república da Macedônia. Foi a fundadora das Missionárias da Caridade. Sua beatificação ocorreu em 2003. A canonização acontece após o reconhecimento, em julho de 2015, pelo Vaticano, de mais um milagre atribuído a ela. No caso, foi constatada a cura imediata de um brasileiro que sofria de grave doença cerebral.
Fontes: ISJB e InfoANS
Madre Teresa de Calcutá manteve diversos contatos com o mundo salesiano. Um deles merece destaque: foi o seu encontro de 17 de abril de 1984, com os participantes do Capítulo Geral 22, tendo à frente o reitor-mor, padre Egídio Viganó. Eis um trecho da mensagem de Madre Teresa, que é como bússola para a Congregação Salesiana ainda hoje, mais de 30 anos depois:
“Dom Bosco teve um grande amor pelos pobres, sempre viu neles Jesus: acreditou na palavra de Jesus. Sabia, não só por um ato de fé, mas por convicção profunda, que tudo quanto ele fazia por aqueles meninos o fazia ao mesmo Jesus… O que mais me impressiona na juventude é o seu desejo de rezar, para depois transformar aquela oração em serviço. O serviço como fruto da oração é realmente uma coisa muito importante para vós e para nós. São João Bosco deve estar muito feliz por ver que a sua Congregação mantém esse respeito honroso pelos mais pobres entre os pobres. Guardai com a vida, com o vosso trabalho este que é o maior presente de Deus à vossa sociedade: o amor, o trabalho pelos pobres”.
Fontes: ISJB e InfoANS