Especial

“Fazei tudo o que Ele vos disser”

Neste ano de 2026, a Família Salesiana em todo o mundo é convidada a refletir e a agir em torno do tema ‘“Fazei tudo o que Ele vos disser’ (Jo. 2,5): crentes, livres para servir”.
Com informações: Agência Info Salesiana – ANS e sdb.org

Seguindo a tradição salesiana, o Reitor-Mor, padre Fabio Attard, entregou no final do ano passado o comentário à Estreia 2026. O tema, “Fazei tudo o que Ele vos disser”, é retirado do Evangelho de João (2,1-11) e retoma o episódio das Bodas de Caná e o exemplo de Maria. A proposta é que, ao refletir e trabalhar em torno deste tema durante o ano, os diversos grupos da Família Salesiana possam encontrar alimento para a sua vivência educativo-pastoral, aprofundando a fé e a esperança.

Estreia? O que é isso?
A tradição salesiana da Estreia vem desde os tempos do primeiro Oratório, em Turim, na Itália. Na década de 1850, Dom Bosco costumava entregar aos meninos do Oratório de Valdocco, no final de cada ano, algumas reflexões e orientações para o ano que estava para iniciar.

Seus sucessores seguiram essa tradição e assim, a cada ano, o Reitor-Mor dos Salesianos propõe um tema – a Estreia – para guiar a Família Salesiana ao longo do próximo período.

O Reitor-Mor sempre entrega o primeiro texto da Estreia à Madre-Geral das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) – a sucessora de Madre Mazzarello. Depois, a mensagem é traduzida para vários idiomas e propagada para todas as casas dos Salesianos, das FMA e dos outros 30 grupos da Família Salesiana, presentes em todo o mundo.

O convite de Maria
A Estreia 2026 inicia com um convite: “Façam tudo o que Ele vos disser”. Como explica o Reitor-Mor, padre Fabio Attard, no comentário à Estreia 2026: “Proponho neste ano que aceitem o convite de Maria com a mesma atitude de disponibilidade e liberdade que vemos nos servos. Nós também, membros dos vários Grupos da Família Salesiana, devemos recordar a verdade da nossa opção e identidade: somos servos, apenas servos. E hoje Maria também nos diz: ‘Façam o que Ele vos disser’. Seja o que for que Jesus nos diga, devemos simplesmente acolhê-lo, assumi-lo e vivê-lo, sem condições”.

Em seguida, o Reitor-Mor aprofunda a reflexão sobre o episódio das Bodas de Caná, que marca o primeiro milagre público de Jesus e sua revelação como o Deus vivo.

Ver: Acolher os sinais dos tempos
O comentário à Estreia propõe um itinerário de reflexão e ação, composto por quatro movimentos: Ver, Escutar, Escolher e Agir.

Assim como Maria não era uma convidada neutra e alheia ao que estava acontecendo à sua volta, a Estreia também nos convoca a ver com atenção e clareza os desafios que nos são colocados atualmente.

“No campo educativo-pastoral, a opção de Maria é para nós um chamado ao mesmo tempo forte e gentil para não cair naquela indiferença que não apenas justifica as coisas, mas também as favorece passiva e indiretamente. Quantas vezes encontramos até mesmo pessoas ditas "de igreja" que, diante do drama dos refugiados, dos pobres, dos vulneráveis, se retraem em seu bem-estar, considerando-os apenas como incômodo e descarte?”, questiona o Reitor-Mor, para a seguir afirmar que as dificuldades devem ser enfrentadas, e não colocadas de lado.

Assim como Dom Bosco, somos chamados a olhar a realidade sem preconceitos, com os olhos do coração: “Acolher os jovens pobres e fazer o possível por eles é um chamado que devemos levar a sério”.

Escutar enraizados na fé em Cristo
O segundo movimento é escutar a voz de Deus que emerge dos acontecimentos. Padre Fabio Attard reforça que o pedido de Maria não está centrado no que será feito, e sim na Pessoa que vai orientar a ação. “Os acontecimentos devem ser lidos e enfrentados à luz de Cristo. Trata-se de uma indicação irrenunciável, assim como uma fonte de verdadeira energia para quem crê”, considera ele.

Nesse sentido, refletir e rezar não é perda de tempo, mas, ao contrário, fortalecimento da fé para poder interferir nos acontecimentos segundo a Palavra de Deus. Como alerta o Reitor-Mor: “Esta é uma necessidade que, em uma cultura como a nossa – onde a eficiência se sobrepõe à eficácia e onde o resultado é considerado mais importante que o processo – corremos continuamente o risco de subestimar, passando diretamente para a ação, mesmo com as melhores intenções. A consequência é que o ponto de referência – a Palavra meditada e contemplada – torna-se cada vez mais fraco e, a longo prazo, chega a ser considerado até mesmo como tempo perdido”.

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Escolher viver o chamado com liberdade
A terceira etapa aborda o tema da liberdade cristã e suas consequências na realidade educativo-pastoral do serviço aos jovens: “Seremos educadores e pastores autênticos somente na medida em que cada ação nossa buscar sentido (razão, motivo, logos) na e a partir da Palavra (Logos). Somente numa prática de vida entrelaçada de palavras e ações que se deixam contagiar pela Palavra poderemos ir além do muro da indiferença e da apatia, tão difundidos hoje”.

Agir: serviço e generosidade
O quarto e último movimento desse itinerário é o serviço generoso, o convite a escolher, com liberdade, cooperar com o projeto de Deus. “Sim, os jovens ainda estão em busca de quem tenha a coragem e a convicção da fé em Cristo. A busca por parte dos jovens não falta. Precisamos de pessoas maduras na fé, prontas para apresentar o rosto de Jesus, como servos e peregrinos. Precisamos de educadores e pastores dispostos a ouvir e viver a boa nova”, ressalta o Reitor-Mor.

Para esse “agir” generoso e livre, padre Attard incentiva toda a Família Salesiana a viver a “ousadia da fé”, buscando no seguimento da Palavra a força necessária para transformar realidades de pobreza, exclusão e falta de sentido para a vida. No convite à reflexão desta parte da Estreia, o Reitor-Mor fala diretamente aos educadores: “Chamados como Comunidade a educar com o coração do bom pastor, esforcemo-nos por encontrar momentos que fortalecem em nós a consciência de que a nossa presença e a nossa contribuição visam favorecer a descoberta do projeto de Deus para cada jovem”.

Dimensão comemorativa
A Estreia 2026 também se coloca em continuidade ao tema do ano passado, fazendo referência aos 150 anos da Primeira Expedição Missionária Salesiana. E ressalta outra data comemorativa importante: os 150 anos de fundação dos Salesianos Cooperadores, uma oportunidade para refletir sobre este e todos os Grupos da Família Salesiana que, cada um a seu modo, seguem o carisma de Dom Bosco.

O comentário à Estreia 2026 conclui com a afirmação de que o itinerário proposto é, ao mesmo tempo, desafiador e fascinante para toda a Família Salesiana. “Como Maria em Caná, nós, educadores e educadoras na fé, somos chamados a testemunhar Cristo aos jovens, não como ‘objeto’, mas como relação libertadora; a propor a vida cristã não como regras a seguir, mas como plenitude de vida oferecida gratuitamente. ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’ não é um convite à obediência cega, mas à liberdade responsável comunicada por quem já encontrou e vive o Amor, e quer compartilhá‑lo porque nele está a verdadeira vida”.

Baixe AQUI o comentário à Estreia 2026 na íntegra.

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