Estreia 2026

Maria, mestra da “escuta”: deixar Deus agir

Reflexões e implicações da Estreia 2026.
Pe. Luís Timossi, SDB – CSFPA / Tradução: Pe. Tarcizio Odelli, SDB

Ver é o ponto de partida. De fato, Maria percebeu o que estava acontecendo nas bodas de Caná. De modo preventivo, ela descobre o sofrimento que está prestes a atingir a vida daqueles jovens esposos: não têm vinho. A alegria deles está acabando…

Mas a essa primeira leitura sensível e atenta, Maria acrescenta uma tensão operativa: procura uma resposta que resolva o problema. Seu olhar não é ingênuo nem superficial, mas intencional. Ela lê a realidade a partir da fé em Jesus. Enquanto descobre o problema, sua alma “cheia do Espírito Santo” a conduz a apresentar a situação ao seu Filho. É a Ele que apresenta o problema e é n’Ele que confia plenamente: “Façam tudo o que Ele lhes disser”.

A vontade de Deus emerge dos próprios acontecimentos
O contratempo descoberto é imediatamente apresentado ao seu Filho, propondo aos “servidores” — título muito bem escolhido para definir o que somos — que façam tudo o que Ele disser.

Padre Fabio Attard, em sua reflexão, ajuda-nos a descobrir um aspecto significativo do processo que nos conduz a viver a vontade de Deus: “A vontade de Deus surge de den-tro da nossa colaboração nos acontecimentos que vivemos, n’Ele e por causa d’Ele”. Para isso é indispensável cultivar e aprofundar nosso vínculo com Jesus, com a sua própria pessoa. Ele é a fonte de toda inspiração e de toda missão.

Não ser autorreferenciais
Não é Maria quem resolve diretamente a situação. Ela não é autorreferencial. Seu tes-temunho ensina o caminho justo para responder à realidade. Ela não se coloca no cen-tro e não quer que nós assumamos um protagonismo inadequado e ansioso. Ela nos pede simplesmente: escutem e façam o que Jesus disser.

Esta é uma genialidade, um traço típico de sua maneira “mariana” de ser. Ela é “a von-tade de Deus encarnada”, a disponibilidade total à ação transformadora e libertadora de Deus. Sua resposta mais radical foi: “Faça-se em mim segundo a Tua palavra” (Lc 1,38). Ela tem plena consciência de que o único sujeito protagonista de toda ação sal-vadora é Deus.

“A vontade de Deus surge de dentro da nossa colaboração nos acontecimentos que vivemos.”

Não fazer nada… “escutar”, para deixar Deus agir
Nos Evangelhos, Maria nunca aparece fazendo algo por iniciativa própria. Ela deixa Deus agir. No seu cântico diante de Isabel, reconhece: “O Senhor fez em mim grandes coisas…” (Lc 1,49). Sua atitude consiste em ter plena consciência de quem é o verda-deiro sujeito da ação. Sua reação é quase reflexa: Deus age, e sua liberdade transparen-te e sua adesão total à vontade divina permitem que Deus opere livremente.

Quem é o verdadeiro sujeito da ação educativo-pastoral? Não somos nós! É Jesus quem nos comunica a luz e a força de sua Palavra para agir em seu nome, como servidores do Reino. Por isso precisamos aprender a fazer o que Ele nos diz.

Aqui não funciona o esquema “ação–reação”
Maria ensina a escutar e a fazer o que Jesus quer. Essa mudança de sujeito — do “eu” ou do “nós” para Jesus como referência principal — implica uma profunda transforma-ção de perspectiva para uma espiritualidade da ação.

Diante de uma necessidade detectada na realidade dos jovens, não corresponde imedia-tamente uma ação nossa, colocando-nos como protagonistas. É necessário passar por uma fase de escuta e docilidade de fé. Porque acreditamos que quem já resolveu o pro-blema da história humana, com sua morte e ressurreição, é Jesus. Ali está a síntese da Palavra que devemos escutar, da revelação de Jesus que, como servidores, temos que prestar atenção.

Assim, diante de uma situação como a de Caná — “não têm vinho” — a resposta ime-diata é: “Escutem e façam o que Ele lhes disser”.

A “lógica salesiana” da ação
Esta é a “lógica” salesiana da Pastoral. A originalidade “mariana” do nosso carisma não consiste tanto em fazer muitas coisas pelos jovens, mas em deixar Deus agir em nós e através de nós, tornando-nos apenas sinais e portadores do Seu amor.

Assumir tudo por conta própria, esquecendo o protagonismo de Deus, seria apropriar-nos da obra de Deus, ocupar um lugar que não nos pertence. Maria é totalmente trans-parente nisso, porque sua fé é radical e totalmente referida a Jesus.

Maria, nossa Mãe Auxiliadora, ensina-nos a escutar e a obedecer a Jesus!

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