Santidade Salesiana

Nove salesianos mártires são beatificados em Cracóvia

Os novos beatos padre Jan Świerc e oito companheiros foram mortos entre 1941 e 1942, nos campos de concentração de Auschwitz e Dachau.
Com informações: Agência Info Salesiana – ANS

Nove salesianos sacerdotes, vítimas da perseguição nazista, foram proclamados beatos na manhã de 6 de junho, no Santuário de São João Paulo II, em Cracóvia, na Polônia. A celebração foi presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, que os definiu como “uma verdadeira semente de paz e fraternidade em uma época tão sombria e violenta”.

Com a invasão da Polônia pela Alemanha, iniciada em 1º de setembro de 1939, a perseguição contra a Igreja Católica tornou-se particularmente feroz, atingindo sacerdotes, religiosos e comunidades eclesiais. Durante a homilia, o cardeal Semeraro definiu aquele período como “uma página dramática da história do país”. Ele ressaltou que a celebração não pretendia deter-se na tristeza daqueles eventos, mas sim dar glória a Cristo, testemunhado pelos nove sacerdotes, “filhos de São João Bosco”, que “como Cristo e com Cristo deram a vida”.

Fiéis ao carisma de Dom Bosco
Em sua fala, o prefeito do Dicastério destacou o carisma salesiano dos novos beatos: educadores e guias espirituais dos jovens, atentos aos pobres e aos sofredores. Como Dom Bosco, viam em cada jovem “uma ovelhinha amada, muito preciosa aos olhos de Deus”.

Diante do ódio antirreligioso, da violência e da injustiça que marcaram o século XX, eles não fugiram. Permaneceram fiéis à sua vocação até a entrega total de si mesmos, derramando o sangue como sinal de paz.

Uma mensagem aos jovens
O cardeal Semeraro explicou que a beatificação constitui um triplo convite; e o primeiro deles é dirigido aos jovens, “futuro da sociedade e presente vivo da Igreja”. Num mundo em que liberdade, felicidade e sucesso são frequentemente separados da verdade, da responsabilidade e do sacrifício, os ideais propostos parecem fáceis e imediatos. Cristo, ao contrário, torna a vida “bela e grandiosa”, realizando os desejos mais profundos do homem. Daí a exortação a abrir o coração ao Senhor, sobretudo nos momentos de incerteza, confusão e solidão.

O segundo convite foi dirigido aos Salesianos de Dom Bosco, chamados a acolher a herança espiritual dos novos beatos e a responder, com generosidade, à voz do Bom Pastor. Por fim, o cardeal fez um apelo a todos os fiéis. Numa época marcada pela “solidão digital”, a santidade consiste em ouvir a vontade de Deus e em perseverar apesar do cansaço e do desânimo. É necessário voltar a reconhecer a voz do Bom Pastor para fazer escolhas corajosas, como verdadeiros discípulos de Cristo e da sua cruz.

Concluindo, o cardeal voltou o olhar para o tempo presente, “mais uma vez marcado pela tristeza e pelas crueldades da guerra”. Neste contexto, os nove salesianos mártires proclamados beatos testemunham o dom da paz. “Mesmo na escuridão da história, há sempre quem saiba trazer uma luz de esperança, de amor e de fraternidade”, afirmou o cardeal.

Significado da beatificação
A beatificação representa o reconhecimento oficial pela Igreja Católica do testemunho de fé dos mártires; fé que se mostrou mais forte do que a violência, o medo e a própria morte. Em meio ao contexto de ódio imposto pelos regimes totalitários durante a II Guerra Mundial, eles permaneceram fiéis a Cristo, à Igreja e à vocação salesiana até o fim.

A beatificação não serve apenas para lembrar a história trágica: configura-se tanto a celebração da vitória do amor sobre o mal, quanto a demonstração da beleza da vocação salesiana, concretizada nas diversas formas de serviço à juventude.

Quem são os nove beatos

Jan Świerc foi preso pela Gestapo em 23 de maio de 1941, juntamente com outros coirmãos salesianos, e levado ao presídio de Montelupich, onde sofreu espancamentos e torturas. Em 26 de junho de 1941 foi transferido para o campo de concentração de Auschwitz e morto no dia seguinte.

Ignacy Antonowicz, diretor do Estudantado Teológico, permaneceu no cargo até sua prisão, em 23 de maio de 1941. Levado a Auschwitz, morreu em 21 de julho de 1941.

Ignacy Dobiasz atuou como vigário paroquial em Cracóvia. Em 23 de maio de 1941, foi preso e deportado para Auschwitz, onde morreu em 27 de junho, devido a esgotamento e aos espancamentos sofridos.

Karol Golda, professor de Teologia, foi preso pela Gestapo em 31 de dezembro de 1941; em fevereiro de 1942, foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz, onde, em 14 de maio de 1942, foi fuzilado.

Franciszek Harazim, também professor, foi preso em 23 de maio de 1941 e levado ao presídio de Montelupich; posteriormente conduzido ao campo de Auschwitz, morreu em 27 de junho de 1941.

Ludwik Mroczek foi preso em 22 de maio de 1941, e morreu em Auschwitz, em 5 de janeiro de 1942.

Włodzimierz Szembek, preso em 9 de julho de 1942, foi encarcerado em Nowy Targ e depois levado a Auschwitz, onde morreu em 7 de setembro de 1942.

Kazimierz Wojciechowski atuou pastoralmente em Daszawa e depois em Cracóvia, onde foi preso em 23 de maio de 1941. Deportado para Auschwitz, foi morto em 27 de junho de 1941.

Franciszek Miśka, administrador do Instituto Salesiano de Ląd, foi preso e internado em vários campos de concentração, até ser deportado para Dachau, onde morreu em 30 de maio de 1942.

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