Juventudes em Foco

Tudo está interligado: Casa Comum, juventudes, esperança

O conceito de ecologia integral foi reconhecido pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si', evidenciando não apenas o cuidado com o planeta, a Casa Comum, mas também com todos os seus habitantes.
Ana Elisa de Godoy Beltrame / Foto: iStock - Eakarat Buanoi

O Papa Francisco, em sua Carta Encíclica Laudato Si', refere-se ao cuidado da Casa Comum, que a todos acolhe e que todos partilhamos, exprimindo sua preocupação com o nosso planeta, pela exploração dos recursos que a natureza oferece. Sobretudo, ele faz um apelo para haver união de todos na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, e declara que os jovens exigem uma mudança.

A partir da CF 2025
A Campanha da Fraternidade 2025 (CF 2025) teve como tema Fraternidade e Ecologia Integral, nos convidando a refletir sobre a urgência do cuidado com a Casa Comum e a difusão da ecologia integral. A temática esteve inserida no contexto dos 10 anos de promulgação da Encíclica Laudato Sí'; dos 800 anos do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis; e do ano da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30).

O conceito de ecologia integral foi reconhecido pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si', evidenciando não apenas o cuidado com o planeta, a Casa Comum, mas também com todos os seus habitantes, com todos os seres vivos que a habitam e com todas as relações, uma vez que tudo está interligado.

Nesse contexto, pensar na ecologia integral é fazer-nos despertar, é partir de uma realidade para a tomada de decisões e mudança de rumos. Colocar as juventudes como protagonistas nesse contexto é pensar nos futuros, com perspectivas plurais, pois as juventudes lutam para nos apresentar as possibilidades de onde se quer chegar, mostrando que seus pensamentos se manifestam em como construir um futuro melhor e que o futuro melhor depende dos jovens do presente.

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“O futuro depende dos jovens do presente.”

O papel das juventudes
Compreender o papel da sociedade, sobretudo das juventudes, diante de uma construção integral e sustentável, requer a valorização do indivíduo em seu direito à vida, à liberdade e à busca pela felicidade, de modo que a proposta de sustentabilidade aponte para a busca de um futuro que realmente sustente a continuidade da vida, propondo um conceito de sustentabilidade mais integradora, de maneira a se criar uma nova relação com o planeta, na tentativa de reverter a diminuição da biodiversidade, da disponibilidade de água e da supressão das florestas, questões que são agravadas, principalmente, pelo crescimento populacional e pelo pensamento de que o planeta Terra é um baú de recursos.

Nossas juventudes estão inseridas num panorama populacional significativo e, no Brasil, representam a maior geração de jovens da história, com um quadro populacional de quase 50 milhões de jovens. Assim, é imprescindível considerar as juventudes como um segmento estratégico da população para o futuro, uma vez que esse grupo populacional será responsável pela geração de recursos que sustentarão o crescente envelhecimento da população (Atlas das Juventudes, 2022).

Vozes da floresta
Anualmente, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças no Clima (COP) reúne pessoas de mesmo propósito e ideais com o objetivo de dialogar sobre as decisões climáticas mundiais. De acordo com Natália Maia, jovem amazônida e consultora da Fundación Avina no Programa Vozes pela Ação Climática Justa (VAC), há um aumento da participação da sociedade civil em diversos âmbitos dessa conferência, sobretudo com a participação de jovens amazônidas nesses espaços.

O discurso na abertura da COP-26 em 2021, feito pela jovem indígena brasileira, Txai Suruí, foi um exemplo dessa participação. Em seu discurso, ela afirmou: “Meu pai, o grande cacique Almir Suruí, me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a Lua, o vento, os animais e as árvores. Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo. Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais. Não é 2030 ou 2050, é agora! Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, por isso devemos estar no centro das decisões que acontecem aqui. Nós temos ideias para adiar o fim do mundo. Vamos lutar por um futuro e um presente habitáveis. É necessário sempre acreditar que o sonho é possível”.

A partir do grito de socorro de uma jovem que vive intensamente o conceito da ecologia integral, mostra-se que é urgente que todos reconheçam a necessidade de tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais.

Natália Maia destaca ainda que é impossível falar sobre justiça climática sem a inclusão das perspectivas das juventudes, já que elas são as esperanças para a transformação imediata do presente e, consequentemente, do futuro. São esperanças porque carregam em si movimentos entre sonhos e realidades, com olhares de soluções criativas, dinâmicas e inovadoras, porque trazem em si um caminho próprio por uma sociedade humanamente mais justa.

O compromisso proposto pelo Papa Francisco deve ser permanente e precisa ser realizado em todas as perspectivas: ambiental, econômica, social, cultural, do cotidiano e espiritual, corroborando com o fato de enfrentarmos o desafio apresentado na CF 2025, de como cuidar da Casa: da casa interior de cada um, baseado na sua espiritualidade; da casa em que habitamos junto de nossa família; da casa em que passamos grande parte do nosso tempo, como na escola e no trabalho; da casa em que nos relacionamos e vivemos em sociedade como em nossa cidade; e da nossa Casa Comum, o nosso planeta Terra, pois nela, tudo está interligado (CF, n.16).

Ana Elisa de Godoy Beltrame é formada em Engenharia Agronômica pela USP e licenciada em Pedagogia pela Univali. Mestre em Agronomia e doutora em Ciências pela USP, é educadora do Colégio Salesiano Itajaí, SC.

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