Experiências

INSA: 90 anos de sonhos e encontros

Para homenagear os 90 anos do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora (INSA) do Rio de Janeiro, a professora de Redação dos Anos Finais do Ensino Fundamental, Daniela Rapcinski, e o aluno do 9º ano, Miguel Gentiller, escreveram este texto que mostra, de forma poética e sensível, a importância da escola salesiana em suas trajetórias de vida.
Daniela Rapcinski e Miguel Gentiller

Um sonho. Tudo começou por um sonho. Um sonho desperto em um coração puro e infantil e transformado em uma das pedagogias mais influentes da história da educação. Aquela que viria a ser a protagonista na transformação do coração humano, através da máxima formativa do bom cristão e honesto cidadão, sob a divina influência e orientação recebida por aquela iluminada senhora – de majestosa ternura, olhar atento e coração amoroso – a sua auxiliadora, de nome Maria – Maria Auxiliadora, mãe e mestra de todos nós.

Dois séculos se passaram desde aquele venturoso acontecimento. Algo que não pertenceu somente a quem sonhou, mas que foi semente, plantada e germinada em outros corações despertos e dispostos, que acolheram e floresceram esse chamado educativo, delas – inspiradas por Madre Mazzarello, o coração pedagógico da congregação, das Filhas de Maria Auxiliadora.

Desses encontros concretizava-se mais uma parte desse sonho: o nascimento e a formação de mais uma escola, uma instituição que levaria o nome Dela, daquela que, segundo Dom Bosco, foi “quem tudo fez”: Instituto Nossa Senhora Auxiliadora, que neste ano de 2026, completa 90 anos de existência; 90 anos de razão, religião e amorevolezza à cidade do Rio de Janeiro. Noventa anos contribuindo com a formação do bom cristão e honesto cidadão, na formação de crianças e jovens conscientes, sujeitos socialmente ativos e protagonistas de si.

Um sonho marcado por encontros, presenças: o encontro do então menininho Joãozinho com Nossa Senhora Auxiliadora; depois o encontro do já então sacerdote Dom Bosco com Madre Mazzarello e hoje o contínuo encontro de corações que vibram salesianidade dentro dessas instituições que são a concretização desse sonho primeiro.

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iStock / Viktor Cap 2014
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Uma menininha, jovenzinha, nascida e criada no interior do Sul do Brasil, recém órfã de mãe, teve a feliz oportunidade de um dia poder entrar em uma casa salesiana para a formação de seu processo educativo. Sonhadora, olhava para a estrutura material e sentia o ambiente acolhedor e espiritual daquela casa/escola e pensava: “um dia quero ser professora/educadora de uma escola assim: escola salesiana”.

A formatura chegou. O espaço mudou. A vida, outro rumo tomou. Mas aquele que fora seu íntimo e ardente desejo nunca na vida se apagou. Em 2024, ano de comemoração do bicentenário do sonho de Dom Bosco a menininha sonhadora, agora já não mais tão menininha, mas ainda sonhadora com a formação cidadã e cristã desses jovens de nosso país, recebeu como uma grande benção: ser educadora em uma casa salesiana.

Desse encontro, outros encontros iam se fazendo e, desta vez, o encontro na sala de aula, com um jovem de olhar atento e curioso. Postura séria e sensata. Segura. Protagonista da classe, líder de turma – um coração salesiano azul e branco pulsando em seu peito.

“O impacto do ensino salesiano na vida de um jovem é gigante, principalmente com os alunos que estudam e convivem nesse ambiente há muito tempo. Um exemplo sou eu, que estudo no INSA há 12 anos e hoje estou no último ano do colégio (...). Percebo claramente como é belo ser salesiano, ser conhecedor de quem foi João Bosco, seu impacto na educação nos meninos que não possuíam condições de uma vida digna em Turim, na Itália, e de Maria Domingas Mazzarello, colaboradora no projeto de Dom Bosco, que acolhia e ensinava as meninas”, diz Miguel Gentiller.

Ele continua o seu relato: “O INSA é uma mãe, dizemos carinhosamente, por seu acolhimento e amparo junto aos que nela adentram em seus espaços. As irmãs, assim, são vistas e reconhecidas como ‘Irmães’. Por mais que não se perceba, a educação salesiana te trata como um filho, acolhe, conhece e ama. É um ambiente em que tratam os problemas com humanidade, através dos melhores métodos possíveis: entendendo, conversando, perdoando. Assim como fazia Dom Bosco, gerando uma relação de confiança na qual você muda, porque percebe que está errado.

No INSA, os alunos não são apenas um número de matrícula, são sujeitos únicos, particulares; são conhecidos e chamados pelo nome, da mesma forma que Jesus fazia. Todos são respeitados, vistos e atendidos em suas individualidades, o que faz o diferencial. Estudar em um colégio com essas práticas salesianas é sinônimo de ser respeitado como aluno. Os professores e coordenadores te atendem e te acolhem. Isso impacta perceptivelmente de uma forma positiva, pois, se um aluno vive em um ambiente onde ele é respeitado, bem tratado e feliz, seu rendimento escolar demonstrará o bom desempenho e resultado”.

Miguel chegou pequenininho no colégio. Até mesmo antes dos “9 anos”, e, assim como à época do menino Joãozinho, a razão não era muito bem compreendida ainda. Hoje, formando, já sabe o que o pulsa e o que o seu coração quer: ser, um dia, educador em uma casa salesiana.

Histórias que se fundem em tempos, espaços, lugares, personagens, encontros e presenças. Vidas que se cruzam e sonhos que se reativam e dão completude à obra. São 90 anos de Instituto Nossa Senhora Auxiliadora, uma “Senhora Instituição”, respeitada pela tradição e legado de educação e formação de crianças e jovens da comunidade salesiana local. De valores que formam e educação que transforma. Desde 13 de abril de 1936, lapidando sonhos, presenças e encontros, formando o bom cristão e honesto cidadão, na paz e alegria!

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