Em 2010, os Salesianos deram um chute certeiro. Eles firmaram uma aliança com a Fundação Real Madrid, entidade sem fins lucrativos mantida pelo Clube de Futebol Real Madrid para a criação de escolas socioesportivas em vários países do mundo. O Brasil não ficou de fora dessa jogada e inaugurou, no mesmo ano, uma Escola Socioesportiva do bairro Riachuelo, no Rio de Janeiro, RJ.
Em 2011, uma nova parceria foi selada com a Fundação Real Madrid e o projeto chegou ao Centro Social da Paróquia Santa Luzia, na Zona Leste de São Paulo, passando a integrar o trabalho social salesiano realizado no Centro para Crianças e Adolescentes (CCA). Em 2013, outro chute acertado levou a Escola Socioesportiva para o Centro Juvenil Salesiano Niterói (Oratório Mamãe Margarida), RJ. E em 2014, uma nova escola socioesportiva foi inaugurada no Estado do Rio de Janeiro, desta vez na comunidade do Jacarezinho, onde crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social participam de treinamentos de futebol, recebem formação integral e sonham com um futuro melhor.
Embora as escolas socioesportivas estejam localizadas em regiões diferentes, todas elas compartilham do mesmo objetivo: promover o desenvolvimento humano e oferecer um futuro com mais dignidade, esperança e oportunidades.
Esporte: ferramenta pedagógica e de transformação social
Em um território historicamente marcado por desafios como a violência, a desigualdade e a exclusão social, o projeto Escola Socioesportiva de Jacarezinho, que é desenvolvido nas instalações do Colégio Salesiano Alberto Monteiro de Carvalho, chegou para virar o jogo e mudar a realidade de muitas crianças e adolescentes da comunidade.
Atualmente, a ESD-Jacarezinho beneficia diretamente 543 participantes, com o apoio de uma equipe composta por profissionais permanentes e voluntários. Lá, além dos treinamentos de futebol — que integram técnicas esportivas com valores éticos e competências socioemocionais —são ofertadas oficinas de capoeira, dança, artesanato, luta livre, informática, reforço escolar, orientação vocacional e alimentação saudável.
Desde o início de 2025, o projeto da Escola Socioesportiva de Jacarezinho conta com o apoio da Fundación MAPFRE que, por meio da Fundação Real Madrid, passou a colaborar diretamente com a iniciativa, ampliando sua capacidade de atuação junto a crianças e adolescentes de Jacarezinho e comunidades vizinhas. Outra organização que se uniu à iniciativa é a Abbott, que, por meio do programa Future Well Kids e da ferramenta de triagem nutricional MUACZ Score Tape, promove ações de educação para hábitos de vida saudável e prevenção de doenças crônicas não transmissíveis.
Para os coordenadores do projeto, o apoio internacional representa não apenas um reconhecimento pelo trabalho realizado, mas também a abertura de novos horizontes. “Acreditamos que toda criança e todo adolescente têm o direito de sonhar com um futuro melhor. Essa parceria nos ajuda a construir, todos os dias, caminhos mais sólidos para que esses sonhos se tornem realidade”, destaca a coordenação da Escola Socioesportiva.
Além das regras
Mais do que ensinar regras e fundamentos do esporte, o que a Escola Socioesportiva de Niterói, RJ, pretende é formar cidadãos conscientes e protagonistas de suas histórias. Desde 2013, atendendo educandos de 6 a 17 anos, o projeto utiliza o futebol como instrumento educativo capaz de promover inclusão, convivência e fortalecimento de vínculos.
Atualmente, a Escola Socioesportiva atende cerca de 100 crianças e adolescentes no contraturno escolar, com oficinas de futebol realizadas de segunda a sexta-feira, divididas por faixas etárias, nos períodos da manhã e da tarde.
No local, meninos e meninas participam juntos das atividades, desenvolvendo habilidades técnicas e socioemocionais em um ambiente de respeito e cooperação. Durante os treinos, jogos e torneios, os educandos refletem e vivenciam sete valores fundamentais: respeito, igualdade, motivação, companheirismo, autonomia, autoestima e saúde.
Luiz Miguel L. Ignácio, de 15 anos, ex-aluno da Escola Socioesportiva de Niterói, conta que a participação no projeto de futebol influenciou muito a sua vida fora do campo. “Aprendi a ter mais disciplina, responsabilidade e respeito, o que refletiu diretamente na escola, em casa e na convivência com outras pessoas”, ressalta.
O projeto também conta com o apoio da Abbott, que contribui com ações educativas voltadas à promoção da saúde e da alimentação saudável. Por meio de acompanhamento nutricional, triagem individual e orientações conduzidas por nutricionista, os educandos e suas famílias recebem suporte e encaminhamentos, quando necessário, incentivando hábitos de autocuidado e qualidade de vida.
Desenvolvimento integral
“O meu filho vai para a Espanha jogar no time Real Madrid”. Essa era a ideia alimentada por muitas famílias quando, em 2011, as Missões Salesianas, em parceria com a Fundação Real Madrid, implantaram o projeto da Escola Socioesportiva no Centro para Crianças e Adolescentes, no bairro de Arthur Alvim, na Zona Leste de São Paulo.
Com o passar do tempo, essas famílias compreenderam que a proposta da Escola Socioesportiva não era formar atletas profissionais, mas sim utilizar o futsal e o basquete como ferramentas educacionais para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
A Escola Socioesportiva em Athur Alvim atende, hoje, cerca de 260 pessoas, com idades entre 7 e 18 anos. Esses educandos participam de treinos semanais que ocorrem dentro do horário do CCA, na quadra poliesportiva do Centro Social Santa Luzia, com os treinadores Lucas Marques e Monica Pereira. Aos sábados, os treinos são abertos às crianças da comunidade que participam do oratório festivo.
De acordo com Juliana Campos, gestora do projeto, o diferencial da iniciativa está em utilizar o esporte como ferramenta educativa para promover o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, ou seja, favorecer o aperfeiçoamento de valores e competências socioemocionais, a inclusão social e a promoção da saúde.
Com informações de: Cristiane Gomes, Viviane Aquino, Juliana Campos, Padre Rogério Calvi, SDB, e Antonio Ricardo Gonçalves.