Em 1876, Dom Bosco fundou a Associação dos Salesianos Cooperadores (SSCC) como um grupo de leigos, homens e mulheres que buscam viver o espírito salesiano nas situações cotidianas da vida e do trabalho, difundindo os valores do carisma salesiano no próprio ambiente.
Assim, o Salesiano Cooperador tem, onde quer que esteja, a preocupação de educar e evangelizar, especialmente os jovens mais carentes, e desenvolve suas atividades corriqueiras com simplicidade, otimismo, criatividade, vivência comunitária, espiritualidade eucarística e mariana.
Atualmente, a Associação dos Salesianos Cooperadores está organizada em 11 regiões ao redor do mundo. Cada região comporta vários países, à exceção da Região Brasil, que congrega as presenças dos Salesianos Cooperadores em todo o território nacional.
Organizados em centros locais, em lugares em que existam ou não outros grupos da Família Salesiana, os Salesianos Cooperadores no Brasil desenvolvem várias formas de apostolado, com atenção especial à catequese e formação cristã; à animação e assessoria de grupos e movimentos juvenis; à colaboração com escolas e obras sociais, especialmente na organização de oratórios festivos; e à comunicação social. É muito expressiva também a participação dos Salesianos Cooperadores nos Conselhos Tutelares e fóruns de defesa dos direitos da criança e do adolescente.
Nesta entrevista para o Boletim Salesiano, Darlene dos Reis Gonçalves Souza, representante dos Salesianos Cooperadores da Região Brasil no Conselho Mundial da Associação, fala sobre quem são os Salesianos Cooperadores, como estão organizados no país e como vivenciam na atualidade o carisma salesiano.
Boletim Salesiano – O que tem de diferente, ou de especial, nos Salesianos Cooperadores em relação a outros grupos da Família Salesiana?
SC Darlene dos Reis Gonçalves Souza – Nosso principal diferencial é a laicidade. Nós somos leigos e vivemos a salesianidade na nossa própria família. Alguns na sua vida como solteiros, outros como casados, profissionais liberais, servidores públicos, em qualquer que seja o lugar onde nós estamos, ali a gente vivencia o carisma salesiano.
Boletim Salesiano – E o que tem de comum, de conjunto com os outros ramos da Família Salesiana?
SC Darlene Souza – A espiritualidade salesiana e a raiz vivenciada em Dom Bosco; o jeito, o estilo de vida baseado na alegria, no comprometimento com as causas populares, muito voltado ao atendimento aos jovens, especialmente aqueles mais carentes, não só de recursos físicos, mas de outros tipos de recursos. Então, esse é um fio que nos liga a todos os grupos da Família Salesiana. Cada um na sua realidade tem sempre esse foco especial, essa atenção especial também para com as vocações.
Boletim Salesiano – E como é que os Salesianos Cooperadores vivem a salesianidade no dia a dia?
SC Darlene Souza – O nosso dia a dia é no lugar onde estamos inseridos. Primeiramente vivenciamos o carisma de Dom Bosco, a espiritualidade salesiana, dentro da própria família. E, depois, onde quer que a gente esteja. Então, no ambiente de trabalho, é ali semear um pouquinho dessas gotinhas salesianas, bem como no clube de amigos, em alguma associação civil que a gente faça parte, sempre deixar a nossa peculiaridade salesiana transparecer, de modo natural. Nós não andamos com um distintivo, com uma plaqueta para identificar o que nós somos, mas o nosso estilo de ser, de ver os acontecimentos e de lidar com as pessoas, aos poucos vai demonstrando que a gente tem um comportamento especial, e esse é o especial salesiano.
Boletim Salesiano – Os Salesianos Cooperadores são um dos ramos da Família Salesiana que mais cresce no Brasil. Em sua opinião, por que isso acontece?
SC Darlene Souza – Eu acredito que seja porque a gente está no mundo, em contato com pessoas de diversos setores, e levamos esse carisma (salesiano) de forma natural. Hoje temos no mundo uma diversidade de valores, de culturas, de crenças e então já chegar com um identificador faz com que algumas pessoas coloquem algum tipo de carimbo e se retraiam. Nós não temos uma marca externa, nossa marca é a nossa forma de viver e de tratar as pessoas, e assim, quando a pessoa sente esse olhar diferenciado, esse contato mais próximo, ela se pergunta se poderia ser assim também. Se poderia viver esse estilo de vida tranquilo, sereno, com esperança. Penso que é um pouco por esse caminho.
Boletim Salesiano – Há grupos de Salesianos Cooperadores jovens surgindo?
SC Darlene Souza – Nós não nos classificamos por idade, e sim por local. O que acontece é que muitas vezes já existem grupos com pessoas mais maduras e os jovens de idade não se sentem atraídos, acham que ali não é o seu lugar. Inclusive essa é uma dificuldade que a gente tem, de que ingressem mais pessoas jovens para a associação.
Boletim Salesiano – E os Salesianos Cooperadores completaram 150 anos de fundação, por Dom Bosco...
SC Darlene Souza – Sim! A nossa Associação ainda está neste clima de festa pelos 150 anos! Em maio deste ano, em Roma, tivemos um Congresso Mundial com a presença de representantes das 11 regiões, para celebrar esse grande momento.
Boletim Salesiano – Quantos são os Salesianos Cooperadores no Brasil?
SC Darlene Souza – Nós fazemos um censo anualmente, mas o de 2026 ainda não está pronto, então tenho números aproximados do final do ano passado: 1.390 Salesianos Cooperadores com a promessa, e em torno de 250 aspirantes, que são pessoas que estão se preparando para assumir esse compromisso na Associação. Há um caminho de formação, que leva cerca de dois anos, no qual a pessoa se aproxima, estuda, conhece e convive com os Salesianos Cooperadores para fazer o discernimento. Depois, é feita a promessa, que é assumir o compromisso como Salesiano Cooperador.
Boletim Salesiano – Se uma pessoa ficar interessada em conhecer os Salesianos Cooperadores, como deve fazer?
SC Darlene Souza – Nós temos um site, que é ssccregiaobrasil.com.br . Navegando nesse site é possível visualizar os links para as redes sociais, notícias, os contatos dos centros locais. Mas o melhor mesmo é nos conhecer pessoalmente, nas paróquias, escolas, obras sociais, oratórios... É conviver.
Boletim Salesiano – Há algo mais que não conversamos e que você gostaria de dizer aos leitores do Boletim Salesiano?
SC Darlene Souza – Olha, a gente tem um desafio hoje, como nos alerta o Papa, que é lidar com a Inteligência Artificial e com a comunicação digital. Dom Bosco sempre se preocupou com as comunicações, e, aliás, o Boletim Salesiano é fruto disso, pois Dom Bosco utilizava todos os mecanismos de comunicação que tinha à disposição para divulgar a Boa Nova. Hoje temos esse grande desafio que é contar com tantos recursos que estão presentes no mundo digital e precisamos saber usá-los para evangelizar, para aproximar as pessoas, para transmitir esperança e otimismo a todos, independentemente de raça, de religião, de condição. Os Salesianos Cooperadores devem estar atentos a esse desafio, de estar presentes também no ambiente digital para fazer o bem e chamar outras a participarem, como nos ensinou Dom Bosco.
O VI Congresso Mundial dos Salesianos Cooperadores foi realizado em Roma, na Itália, entre os dias 7 e 10 de maio de 2026, com cerca de 400 participantes, representando todas as 11 regiões da Associação. Além da expressiva participação, o evento se destacou por ser realizado no ano em que os Salesianos Cooperadores completam 150 anos de sua fundação, por São João Bosco, em 9 de maio de 1876.
No relatório final do Congresso, o novo coordenador mundial, Borja Pérez, partiu da análise feita pelas regiões para apresentar um diagnóstico de um mundo polarizado e desigual, habitado por jovens que vivem a incerteza, a solidão e a ausência de referências. O documento revelou também uma Igreja em busca de novas linguagens e novos caminhos de sinodalidade.
Nesse contexto, Borja identificou pontos de força da Associação, entre os quais um carisma atual, uma presença viva nas periferias e uma capacidade de resiliência. A esses, contrapôs alguns desafios e fragilidades, como a falta de renovação geracional, uma identidade vocacional por vezes pouco clara, uma comunicação ainda fraca e a escassa presença sociopolítica.
A missa de encerramento, presidida pelo Reitor-mor, padre Fábio Attard, reuniu toda a carga de alegria, sonhos e esperanças do congresso em uma celebração de simbologia plural.
O gesto final do Congresso traduziu em objeto o programa do sexênio. Cada participante retornou a sua região com uma peça de quebra-cabeça nas mãos e com a consciência de que ela representa um fragmento do desígnio de Deus para a Associação dos Salesianos Cooperadores.
Por: Euclides Fernandes com informações da Agência Info Salesiana – ANS
Atílio Giordani nasceu em Milão, na Itália, em 3 de fevereiro de 1913. Aos 9 anos, junto com seu irmão Camilo, começou a frequentar o Oratório Santo Agostinho, dos Salesianos, que ficava perto de sua casa. Como jovem catequista no mesmo oratório do qual participou quando criança, destacava-se pela alegria, empatia e capacidade de se conectar com outros jovens de maneira autêntica e inspiradora. Construiu assim, na família e no oratório, uma personalidade cristã e solidária, que aprofundou na vida adulta.
Casou-se com Noemi Davanzo, com quem teve três filhos. No início dos anos 1970, os filhos de Atílio e Noemi aceitaram o chamado missionário para o Brasil. Em 1972, Giordani e sua esposa também vieram, se estabelecendo em Poxoréu, MT, onde ele continuou seu trabalho com jovens e comunidades carentes. Sua missão no Brasil foi uma extensão natural de seu trabalho na Itália, levando esperança e educação a áreas necessitadas. Ele se dedicou a ensinar catequese, organizar atividades educativas e apoiar iniciativas comunitárias, sempre com a mesma alegria e paixão que caracterizavam seu trabalho na Itália.
Em 18 de dezembro de 1972, durante uma reunião de catequese, ele sofreu um ataque cardíaco e faleceu, deixando um legado de amor e serviço. Sua vida foi um testemunho de fé inabalável e dedicação ao próximo, inspirando muitos a seguir seus passos no trabalho missionário e no serviço aos jovens.
Em 2013, a Congregação para a Causa dos Santos reconheceu a santidade de sua vida, e Atilio Giordani foi declarado Venerável pela Igreja Católica. O processo por sua beatificação continua no Vaticano, sendo Giordani um dos membros do Elenco de exemplos de vida e fé da Família Salesiana.