Irmãs Medianeiras da Paz

Sinal de vida e esperança entre os esquecidos

Há quase seis décadas, as Irmãs Medianeiras da Paz atuam como mediadoras e promotoras da paz entre os pobres, abandonados e todos os que estão à margem da sociedade, inspiradas pelo lema:“Tudo farei pelo Eleitos” (2 Tm 2,10).

No final da década de 1960, o Brasil vivia um clima de tensão política, religiosa e social por causa da ditadura militar. Era uma época conturbada, marcada pela ausência de liberdade de expressão e pela punição severa daqueles que se opunham ao governo. Foi nesse contexto, de extrema pressão social, que nasceu em Petrolina, PE, no dia 10 de dezembro de 1968, o Instituto das Irmãs Medianeiras da Paz.

O Instituto foi fundado por dom Antônio Campelo de Aragão, SDB, então bispo diocesano de Petrolina, que deu à congregação o nome de Instituto Social das Medianeiras da Paz, a fim de resguardar a congregação de um possível ataque do governo contra a vida religiosa. “Minhas filhas, caso venha a acontecer perseguição à Igreja no Brasil e persigam também a vida religiosa, o nome social poderá amenizar a situação”, afirmou o fundador.

A escolha do nome também revelava o que dom Campelo esperava das Irmãs Medianeiras: ele queria que elas estivessem inseridas no mundo, que fossem uma presença de qualidade e mediação em qualquer situação ou lugar onde a vida estivesse ameaçada e buscassem, através de uma vida orante e de ações eficazes, ajudar a realizar o projeto de Jesus Cristo. “Devemos ser presença de mediação e de promoção da paz, através de nosso testemunho e de ações voltadas para os mais pobres, os esquecidos da sociedade”.

De acordo o livro Cartas Circulares: a espiritualidade das Medianeiras da Paz que emana das Circulares do Fundador, durante os meses de dezembro de 1968 e janeiro de 1969, as Irmãs Medianeiras se mantiveram em clima de oração e reflexão, por meio de vários encontros guiados por dom Campelo, que foram encerrados com um retiro espiritual. No dia 31 de janeiro de 1969, dom Campelo apresentou ao Governo Geral o novo grupo, tendo como primeira Superiora Geral a irmã Izabel Maria Reis. Na homilia de celebração eucarística, dom Campelo disse que aquele dia deveria ser celebrado anualmente pelas Medianeiras da Paz em homenagem a São João Bosco, escolhido como um dos patronos da Congregação.

Presença e campos de missão
Atualmente, as Irmãs Medianeiras estão presentes no Estado do Amazonas e em várias regiões do nordeste, com obras espalhadas pela Bahia, Ceará, Pernambuco e Sergipe. Em todos esses lugares, elas buscam atender as necessidades das populações mais pobres e necessitadas por meio de um campo de atuação amplo e diversificado, que contempla desde a participação em atividades pastorais sociais até em conselhos e fóruns voltados à defesa e promoção da vida.

As Medianeiras estão presentes ainda no setor da educação formal e em projetos educativos comunitários nos meios populares; no setor de saúde, atuando nas periferias, favelas, ambulatórios, hospitais, maternidades e outros ambientes similares; na assistência social ajudando a promover todas as classes, especialmente as mais vulneráveis. Também operam na Pastoral Vocacional, estimulando, com zelo apostólico, as vocações para a vida religiosa e sacerdotal e para os diversos ministérios leigos na Igreja, além de atuarem no campo da evangelização e catequese, a fim de contribuir para uma renovação profunda do engajamento cristão.

Vatican Media

“Devemos ser presença de mediação e de promoção da paz.”

Um legado que permanece vivo
No dia 4 de fevereiro de 2019, o então Reitor-mor dos Salesianos, padre Ángel Fernández Artime, oficializou a integração do Instituto Religioso das Irmãs Medianeiras da Paz à Família Salesiana. No documento de integração, o Reitor-mor escreveu: “Este Instituto, com seu testemunho de vida espiritual apostólica e sua ação educativa pastoral e de assistência social entre os mais pobres, desenvolvida com um grande sentido de Igreja local e no estilo salesiano, aporta um válido contributo à Família Salesiana, enriquecendo-a com o próprio carisma no espírito e em fidelidade ao seu fundador”.

Embora a integração das Irmãs Medianeiras à Família Salesiana tenha ocorrido somente 50 anos após a fundação do Instituto, as religiosas sempre atuaram em conformidade com o carisma salesiano, em decorrência dos ensinamentos deixados por dom Campelo. O bispo salesiano, como filho de Dom Bosco, bebia da fonte do santo fundador da Congregação Salesiana e incentivava as Irmãs Medianeiras a fazerem o mesmo: dizia para elas estarem nas periferias e nos lugares mais difíceis, junto aos pobres, aos mais vulneráveis, às crianças, aos adolescentes, aos jovens, junto a todos àqueles que se encontravam nas situações mais precárias; e que procurassem ser o rosto de Deus transfigurado nos irmãos desfigurados.

Dom Antônio Campelo de Aragão

Antônio Campelo de Aragão nasceu no dia 5 dezembro de 1904, em Garanhuns, agreste de Pernambuco. Filho de Aurélio Aragão e Enedina Campelo Aragão, ficou órfão de pai aos 10 ano de idade e de mãe aos 13 anos. Com 16 anos, foi estudar no Colégio São Joaquim, dos Salesianos, em Frei Caneca, PE. Fez o noviciado em 1927 e concluiu seus estudos filosóficos três anos depois, em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife.

Em 1933, Antônio Campelo foi enviado pela Congregação Salesiana a Turim, na Itália; e, em 5 de julho de 1936, foi ordenado padre, na Basílica de Maria Auxiliadora, pelo cardeal arcebispo de Turim, Maurilio Fossati.

De volta ao Brasil, foi professor do Colégio Salesiano de Salvador, BA, onde permaneceu até 1938. Depois, tornou-se diretor do Colégio Padre Inácio Rolim, em Cajazeiras, PB. Em 1943, passou a dirigir o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora em Aracaju, SE, onde ficou por dois anos até ser transferido para o Colégio Salesiano de Fortaleza, CE, e tornou-se pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, onde construiu as Escolas Profissionais Dom Bosco.

Foi nomeado pelo Papa Pio XII como bispo auxiliar de Cuiabá, MT, no dia 5 de junho de 1950. A sagração episcopal ocorreu na Catedral Metropolitana de Fortaleza, em 13 de agosto do mesmo ano. Seu lema episcopal era “Tudo farei pelos eleitos”.

Em 18 de dezembro de 1956, dom Antônio Campelo foi nomeado como bispo da Diocese de Petrolina. Entre as realizações do seu pastoreio, está a fundação da emissora de rádio “A Voz do São Francisco”, a construção da Vila São Francisco para os pobres que foram vítimas da enchente em 1957 e o 1° Congresso de Ação Católica, em 1962, que contribuiu com a construção do Pavilhão do Lenho – Instituto São José e Cine Massangano, atual Centro Cultural Dom Bosco.

Dom Campelo também foi responsável por ampliar o Centro Social Pio XI, implantar as legiões agrárias e círculos operários, contribuir com a construção do Hospital e Maternidade Santa Maria, em Araripina, PE, no ano de 1959, onde também inaugurou o Centro Social, em 1962, e a Escola Normal Dom Malan, em 1967. O bispo construiu o Centro de Treinamento Diocesano de Petrolina, em 1971, e ajudou na construção do Hospital de Santa Maria da Boa Vista, no mesmo ano.

Como epíscopo, participou da I e da III sessões do Concílio Vaticano II, em 1962. Ainda fundou duas congregações religiosas: as Mensageiras de Santa Maria, em 1º de julho de 1957, e as Irmãs Medianeiras da Paz, em 10 de dezembro de 1968.

Resignou-se da diocese em 6 de fevereiro de 1975, passando a residir na comunidade do Colégio Salesiano de Salvador. Fundou em 12 de outubro de 1984 a Associação das Servas Medianeiras da Paz, para o serviço da Evangelização, seguindo a espiritualidade, o carisma e a missão das Irmãs Medianeiras da Paz.

Dom Campelo morreu em 10 de setembro de 1988, em Araripina, e está sepultado na Catedral Sagrado Coração de Jesus Cristo Rei, em Petrolina.

Em 30 de setembro de 2023, foi iniciado o processo de beatificação de dom Campelo, com cerimônia na Catedral em que ele está sepultado. A solenidade foi organizada pelas Irmãs Medianeiras da Paz, Congregação fundada por dom Campelo e o 32° grupo acolhido na Família Salesiana, sendo presidida pelo bispo da Diocese de Petrolina, dom Francisco Canindé Palhano, e concelebrada pelos padres salesianos Ilmário de Souza, Laércio José e Francisco Inácio, então inspetor da Inspetoria São Luiz Gonzaga.

Saiba mais

As Irmãs Medianeiras da Paz têm um site institucional no qual é possível obter mais informações: www.medianeirasdapaz.com.br, e o site do ISMEP (Instituto Social das Medianeiras da Paz), voltado para a área da Saúde. Também estão presentes nas redes sociais, com o perfil @institutomedianeirasdapaz no Instagram.

Baixe esta matéria em PDF

Reveja
Irmãs Medianeiras da Paz

A seguir
Publicidade

© 2025 Copyright - Boletim Salesiano Brasil