A Associação de Maria Auxiliadora foi também a primeira organização de leigos e leigas criada por Dom Bosco, com o objetivo de cultivar a veneração ao Santíssimo Sacramento e a devoção a Maria com o título de Auxiliadora dos Cristãos, além do apoio às obras sociais salesianas, com atenção especial às juventudes em situação de vulnerabilidade social. Assim, a ADMA mantém vivo o compromisso original do fundador e hoje está presente em 50 países, com cerca de 100.000 membros em 800 grupos.
Em constante renovação e atualização, desde 1988 a ADMA celebra Congressos Internacionais, eventos da Família Salesiana que reconhece, na devoção a Maria Auxiliadora, uma das pedras fundamentais de sua identidade espiritual. Também vem se desenvolvendo no apoio às famílias e às novas gerações, inclusive com a organização de grupos da ADMA compostos somente por jovens, com expressões de fé e devoção próprias.
No Brasil
No Brasil, a estrutura organizacional da ADMA acompanha a divisão das inspetorias dos Salesianos de Dom Bosco (SDB), com a indicação de religiosos salesianos como delegado nacional e delegados inspetoriais para a ADMA, que acompanham e apoiam o trabalho dos presidentes regionais e locais da Associação. Entretanto, há um forte relacionamento da ADMA com outros grupos locais da Família Salesiana e com a Igreja, em especial na promoção de grupos de oração pelas vocações religiosas e sacerdotais, na realização de eventos como as novenas e festas de Nossa Senhora Auxiliadora, no trabalho de apoio aos oratórios e centros juvenis e no atendimento às famílias.
Os grupos da ADMA no país têm vivido um forte movimento de renovação, marcadamente após a pandemia da Covid-19, em todas as regiões. Um exemplo é a Inspetoria Santo Afonso Maria de Ligório (Missão Salesiana de Mato Grosso), que abrange os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Oeste de São Paulo. Nos últimos dois anos, a ADMA viu o número de centros locais saltar de 12 para 18, alcançando realidades diversas, desde os centros urbanos até as aldeias indígenas de Meruri e Barra do Garças.
Crescimento apoiado na história
O dinamismo que impulsiona esse crescimento apoia-se no acolhimento, na clareza da identidade e no resgate das origens carismáticas da obra salesiana. Em todas as formações e reuniões, fala-se da história de Dom Bosco e da Família religiosa por ele criada, da presença salesiana em todo o mundo, da devoção a Nossa Senhora com o título de Maria Auxiliadora dos Cristãos.
Melissa Rezende, presidente inspetorial da ADMA na região, pontua como a narrativa das origens e a abertura da associação têm sido fundamentais para atrair novos fiéis: “Em todas as nossas reuniões aqui, nós temos feito essa divulgação, como tudo partiu de um sonho de Dom Bosco... e isso tem interessado as pessoas. A gente sempre fala nas reuniões: você já viu o tamanho da missão salesiana? Você sabia que ela se espalha pelo mundo todo e que as pessoas seguem o mesmo regimento, o mesmo amor a Maria? O que nos faz crescer também é convidar as pessoas, distribuir os folders explicativos, ter um uniforme que nos identifica, porque muitas vezes os grupos parecem que se fecham, e isso não pode acontecer”. Melissa ressalta, porém, que o principal ponto de interesse pela ADMA é a devoção mariana, algo muito forte no povo brasileiro.
Caminhada de formação
A caminhada de um aspirante até se tornar formalmente um associado envolve um percurso de profundo aprendizado e discernimento espiritual. A preparação exige cerca de um ano de formação acompanhada pelo diretor espiritual, com estudos dedicados ao estatuto, à vivência e à espiritualidade mariana.
Ao término dessa jornada, em geral no dia 24 de maio — festa de Nossa Senhora Auxiliadora —, o candidato realiza sua promessa solene perante a comunidade e recebe a medalha que o identifica. Uma característica interessante é que, embora atue em âmbito local, cada membro da Associação tem seu nome registrado e passa a fazer parte ADMA Primária, aquela fundada por Dom Bosco em Turim.
ADMA Jovem
Outro fator importante para o dinamismo da ADMA na região Centro-Oeste é que a Associação vem desconstruindo a imagem de que seria um grupo destinado exclusivamente à terceira idade. O surgimento e a consolidação de núcleos da ADMA Jovem trouxeram um novo fôlego. Em cidades como Cuiabá, núcleos formados por jovens já criam metodologias próprias de reunião, organização e atividades, sem jamais abandonar a essência deixada por Dom Bosco.
“Nossas formações com esses grupos jovens, elas precisam ser alegres, precisam ser interessantes, senão você não segura o jovem. Porque o jovem está em atividade o tempo todo, e, muitas vezes, você tem que dar atividades para ele. Por exemplo, os centros locais aqui de Campo Grande, no ano passado, fizeram visitas a duas obras sociais que têm atividades oratorianas todo sábado com as crianças. Os nossos jovens da ADMA iam lá jogar vôlei e brincar de bola, faziam recreação com as crianças; iam conhecer aquela realidade e participar na prática do que é um Oratório salesiano”, conta Melissa. “Não podemos nos esquecer que o início da ADMA era para atender os mais vulneráveis, aqueles que estavam à margem da sociedade... e nós temos que seguir esse padrão”, ressalta ela.
Essa sinergia intergeracional tornou-se uma das maiores riquezas da ADMA na inspetoria. Enquanto os jovens e os adultos garantem o movimento e o apoio prático nas atividades de campo, os associados idosos ou com limitações de mobilidade são os responsáveis por manter uma das tarefas centrais da ADMA, que é orar pelas vocações e ser o sustentáculo espiritual de toda a associação.
Organização e animação
Nesse intercâmbio de atividades e funções, os membros mais experientes da ADMA, que compõem as coordenações locais e regionais, são também responsáveis pela organização e pela animação dos grupos.
A ADMA participa da reunião do Conselho Inspetorial, realizada em fevereiro. Depois, são organizadas formações e atividades locais de estudo com base na Estreia do Reitor-Mor e na Campanha da Fraternidade daquele ano, que muitas vezes requerem a participação dos membros da ADMA Inspetorial. No meio do ano é feito um encontro com os presidentes dos centros locais. E, em novembro, é realizado o Encontrão da ADMA, para o qual são convidados todos os membros, de todos os centros locais. Melissa garante que a superação de grandes distâncias geográficas no Centro-Oeste é compensada pelo entusiasmo do evento e pela partilha entre os centros.
A consolidação desse trabalho, que alia fervor espiritual e organização metodológica, resume-se na forma como a Associação se enxerga e se estrutura para servir à Igreja e às juventudes, tal como idealizou Dom Bosco: “É algo vivo; é uma associação viva, que está sempre em transformação, em mudança e melhoria”, reforça Melissa.
Pier Luigi Camerone (Org.)
Disponível para download gratuito AQUI este livro destina-se tanto à formação dos que desejam ser sócios da Associação de Maria Auxiliadora (ADMA), como às pessoas que querem conhecer a história e o espírito da ADMA.
Além da apresentação do Reitor-Mor emérito, padre Pascual Chávez, e de uma breve apresentação histórica da ADMA feita pelo padre Pietro Braido, contém o comentário do seu Regulamento, com o intento de oferecer a cada sócio e aos grupos locais a possibilidade de conhecer os conteúdos e interiorizar os valores. O livro também apresenta uma retrospectiva histórica da relação entre Dom Bosco, os seus sucessores e a ADMA. Por fim, são publicadas três cartas do padre Egídio Viganò bastante significativas para a história da Associação.