Em um tempo marcado pela velocidade, pela hiperconectividade e, paradoxalmente, por tantas experiências de solidão, uma pergunta se torna cada vez mais urgente: como acompanhar as juventudes de hoje?
A resposta salesiana continua encontrando inspiração na vida de Santa Maria Domingas Mazzarello, cuja existência foi inteiramente dedicada à arte de caminhar ao lado das pessoas, principalmente das “suas meninas de Mornese”.
Antes de fundar o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, junto com Dom Bosco, Maín já compreendia que educar era muito mais do que transmitir conhecimentos, pois o seu modo de viver revelava uma pedagogia feita de presença, escuta, trabalho compartilhado, oração e confiança. Ela conhecia cada menina pelo nome, interessava-se por sua história, respeitava seus tempos e acreditava que cada uma possuía um potencial único a ser cultivado.
Para Mazzarello, a educação nascia do encontro com as pessoas e essa percepção se tornou ainda mais evidente na missão educativa que desenvolveu em Mornese: o ambiente criado por ela era marcado pelo espírito de família, onde cada jovem encontrava espaço para crescer humana, espiritual e afetivamente. A proximidade cotidiana permitia orientar sem controlar, corrigir sem humilhar e incentivar sem impor. Além disso, seu testemunho mostrava que a verdadeira autoridade nasce do amor vivido com coerência.
Carta às primeiras missionárias
Uma das expressões mais belas dessa espiritualidade do acompanhamento aparece na carta enviada em 1880 às primeiras missionárias que haviam partido para a América do Sul. Mesmo distante geograficamente, Madre Mazzarello permanece extraordinariamente próxima ao escrever chamando cada irmã pelo nome, perguntando pela saúde, manifestando saudades, acompanhando as dificuldades da missão e oferecendo palavras de esperança.
Outro aspecto que atravessa toda a carta é a alegria. Madre Mazzarello pergunta repetidamente se as irmãs continuam alegres. Não se trata de um sentimento passageiro nem de um convite ao otimismo ingênuo. Para ela, a alegria era sinal de uma vida profundamente enraizada em Deus. É a alegria de quem confia na Providência, encontra sentido no serviço e transforma até mesmo os desafios em ocasião de crescimento. Por isso, cuidar da alegria das pessoas também faz parte do acompanhamento salesiano. Em cada linha daquela carta percebia-se uma mulher que conhecia profundamente aquelas a quem escrevia e que continuava exercendo sua maternidade espiritual mesmo à distância.
Muito mais do que transmitir recomendações práticas, Maín revela um modo de cuidar das pessoas. Sua preocupação principal não foi com a eficiência da missão, mas com a qualidade das relações. Ela insistia para que as irmãs permanecessem sempre unidas, vivessem a caridade recíproca, cultivassem a simplicidade e não deixassem que as dificuldades enfraquecessem a comunhão, pois sabia que a missão floresce quando a fraternidade é vivida no cotidiano.
A atualidade de Mazzarello
Essa forma de acompanhar permanece surpreendentemente atual. Em uma cultura que valoriza respostas rápidas, Madre Mazzarello recorda a importância de dedicar tempo às pessoas. Em uma sociedade onde muitos se sentem invisíveis, ela ensina o valor de chamar cada um pelo nome. Em um contexto de relações cada vez mais superficiais, mostra que a proximidade, a escuta e a confiança continuam sendo caminhos privilegiados para educar.
O Papa Francisco frequentemente recordou que a Igreja precisa desenvolver a cultura do encontro. Muito antes dessa expressão ganhar força, Mazzarello já a vivia concretamente através da presença discreta, serena e profundamente materna, que fazia com que cada jovem experimentasse algo essencial: sentir-se acolhida, valorizada e capaz de construir um projeto de vida iluminado pelo Evangelho.
Esse talvez seja o maior legado de Maín para a Família Salesiana e para cada um e cada uma de seus educadores. O acompanhamento não é uma estratégia pedagógica nem uma técnica de aconselhamento. É uma vocação que nasce do desejo de caminhar com a outra pessoa, ajudando-a a reconhecer a ação de Deus em sua própria história.
Num mundo que oferece inúmeras conexões, mas nem sempre verdadeiros encontros, Madre Mazzarello continua lembrando que a educação começa quando alguém se faz presença e que acompanhar é permanecer ao lado, inspirar confiança, despertar esperança e acreditar que, com paciência e amor, cada jovem pode florescer. Essa é a pedagogia que atravessa gerações e continua fazendo da espiritualidade salesiana uma escola de humanidade e de Evangelho.