Meu encontro com o Amazonas
Meu nome é Talita Bedaque, sou psicóloga e voluntária do VIDES BAP. Sou de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, e foi de lá que parti para uma experiência que transformaria profundamente a minha vida: uma missão voluntária no Amazonas.
A princípio, fui para trabalhar na Casa Mamãe Margarida, em Manaus. A obra existe há cerca de 40 anos e desenvolve um trabalho muito bonito, que envolve uma casa de acolhimento para meninas, uma escola e uma obra social voltada para o contraturno escolar. Durante dois meses, morei na Casa e participei ativamente da rotina. Pude acompanhar crianças e adolescentes, participar das acolhidas, oferecer apoio nos estudos, realizar rodas de conversa e oficinas e, principalmente, estar presente no dia a dia delas.
Depois, fui para São Gabriel da Cachoeira, cidade conhecida como a mais indígena do Brasil. Foi uma experiência muito especial, porque tive a oportunidade de conhecer mais de perto a cultura e a ancestralidade dos nossos povos originários. O município reúne 24 etnias indígenas, e estar naquele território me proporcionou muitos aprendizados.
Lá, trabalhei no projeto social Uka Suri, da Rede Salesiana Brasil (RSB). Realizei rodas de conversa, atendimentos individuais, visitas técnicas, buscas ativas e atendimentos nas próprias casas de crianças e adolescentes.
Depois dessa segunda experiência, retornei a Manaus para a minha terceira missão, atuando no Projeto Protalento e no Colégio Santa Teresinha. No projeto social, pude realizar acolhidas e palestras. Já na escola, tive a oportunidade de oferecer apoio e orientação aos professores, acompanhar alunos com deficiência, participar da rotina escolar, de reuniões de pais e de momentos de orientação parental.
Foram diferentes lugares, diferentes pessoas e diferentes realidades, mas todos me ensinaram e me transformaram, tanto como profissional, quanto como pessoa.
Conhecer outra região do nosso país, experimentar diferentes comidas, ouvir outras histórias e, principalmente, ter a oportunidade de me doar, doar o meu tempo, o meu conhecimento e a minha profissão, foi transformador.
E existe algo que aprendi durante essa experiência: quando você acredita que está fazendo o bem para o outro, percebe que o bem que recebe de volta é ainda maior. O voluntariado muda a nossa perspectiva de vida. Ele nos ensina, nos transforma e, muitas vezes, nos ajuda a descobrir ou redescobrir o nosso propósito.
Eu acredito que Deus me guiou até o Amazonas. E tenho certeza de que Ele também pode guiar muitas outras pessoas para experiências transformadoras por meio do voluntariado e da missão. Porque, no final, quando a gente se dispõe a servir, a gente também se transforma.
Deixo aqui o meu agradecimento ao VIDES e a todas as Irmãs Salesianas que me acolheram no Amazonas, bem como às Irmãs da Inspetoria Nossa Senhora Aparecida. Minha gratidão eterna a todas vocês.