Juventudes em Foco

Habitar a vida e a cultura dos jovens de hoje

O Boletim Salesiano inicia uma nova série de artigos, produzida pelo Observatório de Juventudes da Inspetoria Salesiana São Pio X e voltada a educadores, lideranças paroquiais e de Pastoral que queiram aprofundar a reflexão sobre o olhar salesiano sobre as juventudes.
Patrícia Machado Vieira

O Quadro Referencial da Pastoral Juvenil Salesiana (Pastoral Juvenil, 2014), em seu primeiro capítulo intitulado “Habitar a vida e a cultura dos jovens de hoje”, apresenta o centro da missão de Dom Bosco e o grande desafio de atualizá-la e vivê-la hoje. Ao mesmo tempo que faz memória da experiência de nosso fundador junto aos jovens de sua época, vai indicando como tal experiência deve servir de inspiração para a nossa relação e atuação com os jovens de hoje.

Uma das principais proposições é de olhar sempre de maneira positiva para as realidades juvenis (Pastoral Juvenil, 2014). Esse olhar positivo tem se constituído como um desafio diante de uma sociedade que marginaliza e culpabiliza o jovem, apontando-o como problema, ao mesmo tempo que vende sua imagem e os elementos de suas culturas como modelo e, consequentemente, mercadoria.

Desta forma, precisamos verdadeiramente despir-nos das falas do senso comum, munir-nos do coração salesiano e aproximar-nos da realidade juvenil. É necessário buscar informações confiáveis sobre as juventudes de hoje, aprofundar o conhecimento e a experiência do carisma salesiano e procurar agir de forma coerente.

Como apresenta o Quadro Referencial, Dom Bosco cultivava um olhar de simpatia e empatia pelos jovens, o que o tornava capaz de atuar com proximidade, contato direto e participação nos sentimentos juvenis. É fundamental buscarmos sempre nos aproximar do coração de Dom Bosco, atualizando sua prática para os contextos juvenis, sociais e eclesiais de hoje.

Este texto é o primeiro de uma série que tem por objetivo auxiliar todos os agentes que atuam nas presenças salesianas a habitar a vida e a cultura dos jovens de hoje. Refletir, conhecer, ressignificar aquilo que sabemos e queremos com e das juventudes. Para iniciarmos esse processo proponho a seguir duas perguntas e um intento de respondê-las, a fim de pensarmos juntos e juntas sobre as juventudes de hoje.

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Afinal, quem são os/as jovens?
No Brasil, a legislação vigente determina que são jovens todos os sujeitos entre 15 e 29 anos, para fins legais e jurídicos. No entanto, esse marcador etário pode se tornar controverso e até ilegítimo se olharmos de perto para as experiências dos sujeitos, que são diversas e atravessadas por múltiplos fatores.

Desta forma, compreende-se que a juventude é uma construção histórica e social, que varia de acordo com o contexto, com a sociedade e com o tempo histórico do qual falamos. Sendo assim, os marcadores que determinam o que é ser jovem também variam. Sem dúvidas a idade é um dos marcadores, mas só é determinante quando articulada com outros fatores da experiência do indivíduo, como: a condição familiar, o emprego/trabalho, o estudo...

Nas sociedades ocidentais contemporâneas, como a nossa, ser jovem está intrinsecamente ligado a uma moratória social, um tempo possibilitado aos sujeitos para que se preparem para a vida adulta. A escola, o lazer, o estudo e o ócio, compõem esse tempo, mas nem todos têm a possibilidade de experimentar tal moratória de forma segura e plena.

Se dissemos anteriormente que aquilo que se entende por juventude pode variar no tempo, no território e no contexto social, também a forma de atravessar essa etapa pode ser muito diversa de acordo com a experiência de vida de cada sujeito. Por isso, diferenciamos entre condição juvenil e situação juvenil, conceitos que ajudam a compreender a diversidade dessa fase da vida. A condição juvenil é caracterizada por esse conjunto de elementos sociais, históricos e contextuais que definem o que é ser jovem em uma determinada sociedade e época. Enquanto a situação juvenil caracteriza-se pelos atravessamentos como gênero, classe social, cor da pele e território, que contribuem na forma como os sujeitos experimentam essa fase da vida.

Ou seja, não é possível falar em uma concepção única e transversal de juventude, nem de uma forma homogênea de experimentar essa etapa da vida. Por isso, procuramos falar sempre em juventudes, no plural, a fim de reconhecer e valorizar essa diversidade de formas, possibilidades e condições de vivenciar tal etapa da vida.

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Para seguir pensando juntos e juntas...
Diante deste cenário e considerando a importância de refletirmos e qualificarmos nossa atuação junto às juventudes, o Observatório Salesiano de Juventudes da Inspetoria Salesiana São Pio X está organizando uma série de textos como este, com o objetivo de subsidiar a reflexão e a formação sobre temáticas relacionadas às culturas juvenis. O sonho é de que essas palavras cheguem ao maior número possível de pessoas, nas muitas presenças salesianas do Brasil.

O projeto intitulado “Juventudes em Foco” é composto por textos propositivos de pequenas reflexões sobre as realidades e culturas juvenis, em suas mais variadas expressões e desafios. Fundamentados em referenciais teóricos multidisciplinares e nos textos salesianos, são de autoria de educadores, professores, gestores e colaboradores salesianos, que vão partilhar seu conhecimento e sua experiência de forma simples, com o objetivo de pensarmos juntos e juntas.

Acompanhe nossas próximas publicações, compartilhe com os educadores da sua obra, com as lideranças paroquiais, catequistas e todas as pessoas que, assim como nós, têm um coração salesiano.

Patrícia Machado Vieira é licenciada em pedagogia, mestra e doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, assessora do Observatório Salesiano de Juventudes (Inspetoria Salesiana São Pio X) e coordenadora do projeto Juventudes em Foco.

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