Os primeiros salesianos que chegaram à América, na primeira e na segunda expedição missionária, se empenharam em fazer opções pastorais e missionárias significativas, incluindo: atenção ao mundo migrante e às periferias; um forte senso eclesial; prontidão para assumir a missão e, ao mesmo tempo, paciência para esperar o momento oportuno diante de uma realidade distinta e complexa; utilização da música como modo de apresentação e de aproximação; e formação profissional para oferecer oportunidade laboral aos jovens pobres.
Isso tudo, com notas típicas de espiritualidade salesiana: caridade pastoral, espírito oratoriano e santidade missionária. Vamos conhecer a seguir alguns desses personagens.
João Cagliero
Nascido em Castelnuovo, órfão de pai, entrou no Oratório desde seus inícios em Valdocco. Esteve entre os primeiros meninos chamados por São João Bosco para ser salesianos e entre os primeiros professos da nova Congregação.
Ordenou-se padre em 1862 e foi eleito diretor espiritual do oratório. Estudou música e teologia. Foi o primeiro diretor espiritual das Filhas de Maria Auxiliadora (Irmãs Salesianas).
Foi convocado por Dom Bosco para chefiar a primeira expedição missionária à América. Acompanhou nos primeiros anos as obras na Argentina e Uruguai. Designado Vigário apostólico da Patagônia setentrional, foi ordenado bispo na Basílica de Maria Auxiliadora de Turim.
Em 1884, retornou à Argentina e ali permaneceu por quase 20 anos, em Carmen de Patagones, em Viedma. Percorreu toda a Patagônia e acompanhou a fundação de La Plata, Bahia Blanca, Bernal, Rosário e Mendoza.
Em 1904, deixou a Argentina e por alguns anos foi delegado apostólico na América Central e bispo de Frascati, na Itália. Em 1915 tornou-se cardeal. Faleceu em Roma em 1926. Foi o primeiro salesiano bispo e cardeal da história.
João Batista Baccino
Nasceu em Giousvalla, perto de Savona (Itália). Aos 24 anos se fez salesiano e retomou os estudos na Obra de Maria Auxiliadora para as vocações adultas. Em 1872 foi ordenado padre e, em 1875, integrou a primeira expedição missionária.
Entregou-se no atendimento aos jovens, aos enfermos e a tantos que o procuravam para confessar-se, especialmente os italianos. Ele escreveu para seus companheiros na Itália: “Aqui há trabalho para cem. Venham preparados, que estes argentinos me matam”. Faleceu repentinamente em Buenos Aires, em 1877. Tinha 34 anos. Foi o primeiro salesiano falecido na América. O padre Vespignani, que o sucedeu na missão, escreveu sobre ele: “Baccino foi o verdadeiro herói daqueles inícios”.
José Vespignani
Nasceu em Lugo, província de Ravena, em 1854. Foi ordenado padre em 1876, ano em que chegou ao Oratório, e logo professou como salesiano. Em fins de 1877, partiu para a América.
Foi o primeiro mestre de noviços na Argentina, diretor do colégio Pio IX em Almagro, estreito colaborador do inspetor, padre Costamagna, e depois inspetor de toda a Argentina por 27 anos. Acompanhou a fundação de 29 novas obras salesianas e a construção da Basílica de Maria Auxiliadora em Buenos Aires.
Voltou à Itália em 1922 para fazer parte do Conselho Geral da Congregação. Faleceu em Turim em 1932. Em 1948, seus restos mortais foram transladados a Buenos Aires, e depois de uma homenagem apoteótica pelas ruas, foram sepultados na cripta da Basílica.
Francisco Bodrato
Nasceu em Mornés em 1823. Aos 40 anos, professor, viúvo, com dois filhos, decidiu tornar-se salesiano. Cinco anos depois, foi ordenado padre e, em 1876, chegou em Buenos Aires à frente da segunda expedição missionária.
Foi o primeiro pároco salesiano de S. João Evangelista e, portanto, o primeiro pároco salesiano em todo o mundo. Substituiu o padre Cagliero na responsabilidade da Congregação na América. Acompanhou a chegada dos salesianos na Patagônia por vários caminhos. Faleceu de câncer em 1880, em Almagro. Tinha 56 anos e era o inspetor salesiano da América.
Domingos Milanésio
Nasceu num povoado perto de Turim e chegou em Buenos Aires na segunda expedição missionária. Logo foi destinado à paróquia de La Boca, onde sofreu um grave atentado, quase perdendo a vida. Atuou em Bahía Blanca, em Chimpay e especialmente em Junin de los Andes. Faleceu em Bernal, aos 79 anos.
Estêvão Bourlot
Nasceu em 1849 em Fenestrelle, noroeste da Itália. Aos 22 anos ordenou-se padre diocesano em Pinerolo. Aos 27 se fez salesiano e, em poucos meses, partiu para a América.
Pertencia à comunidade de Villa Colón no Uruguai. Depois, foi o primeiro pároco da nova paróquia de S. Carlos em Almagro e logo foi transferido a La Boca, onde viveu de 1878 até falecer, em 1910. Foi o pároco que esteve mais anos à frente dessa comunidade, responsável pela construção do templo atual. Viveu seus últimos 12 anos paralisado por enfermidade. Está sepultado em La Boca.