Opinião

“A presença da Igreja assusta aqueles que querem destruir a Amazônia”

Leia a seguir alguns trechos da entrevista feita por Guglielmo Gallone, do Vatican News, com o padre salesiano Wellington Abreu, pároco da Paróquia São Miguel Arcanjo em Iauaretê, comunidade indígena em São Gabriel da Cachoeira, AM.

“A presença da Igreja nas florestas da Amazônia assusta, não as comunidades indígenas, mas a quem quer invadir e desfrutar esse território para obter os minerais e destruir a natureza. Nós somos uma barreira”. As palavras de padre Wellington Abreu foram repercutidas na mídia vaticana justamente enquanto os líderes do mundo estavam no Brasil para participar da COP30.

Padre Wellington é um jovem sacerdote salesiano, pároco da Paróquia São Miguel Arcanjo, em Iauaretê, na Diocese de São Gabriel da Cachoeira, AM. Iauaratê significa “Cabeça de Jaguar”. É um cruzamento de treze etnias e cinco línguas onde o rio é vida, a floresta é casa e certas árvores são sagradas.

Basta pensar a “Cabeça da Onça”, uma aldeia localizada ao longo do rio Papurí, habitado pelos Hupda, uma população indígena que vive da caça, da pesca e do cultivo da mandioca, privada de acesso à internet. No ano passado, a presença constante dos salesianos levou a um resultado extraordinário: 47 indígenas, 90% da comunidade Hupda, foram batizados depois de um ano intenso de catecismo.

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“Nós, graças a Deus, conseguimos estar lá e preservar a natureza, mas as coisas não vão muito bem na região vizinha, Roraima, onde, dois anos atrás, a chegada dos garimpeiros destruiu o rio, matou muitos animais e fez a população adoecer gravemente. Acredito que a nossa presença assusta esses grupos que querem invadir o ambiente. E entendemos isso quando as comunidades indígenas nos acolhem, felizes, pela nossa presença, pedindo-nos para não irmos embora. Diria que a presença da Igreja, que é profética, vai além da religião: protege a vida e aquilo que nos rodeia. É uma ideia concreta de ecologia integral”, considera padre Wellington.

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Ideia que não é facil de aplicar, no entanto. Na Amazônia tem, antes de tudo, o problema das distâncias. “A nossa província é a de Manaus e de Manaus a São Gabriel da Cachoeira são quase duas horas de avião ou quatro dias de barco. Depois, de São Gabriel para minha aldeia são necessárias 12 horas de embarcação com um motor de 40 cavalos para, no máximo, oito pessoas[...]”, relata o sacerdote.

Depois, tem que considerar o narcotráfico. “[...] o tráfico de drogas passa pela fronteira e chega em outras cidades do Brasil, terminando por envolver também a comunidade indígena e, sobretudo, lamento dizer isso, os mais jovens. Para eles, trata-se de dinheiro fácil”, pontua padre Wellington.

Porém, conclui Wellington, “isso torna a nossa presença ainda mais importante: com as nossas seis escolas, queremos ajudar os mais de 300 jovens que estão conosco e ajudar os habitantes da Amazônia a terem consciência da vida, da sua beleza. Estar presentes: não só na relação com Deus, mas em fazer descobrir a alegria da vida”.

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