Novos Pátios

Desenhando novos mapas de esperança

Muitos jovens vivem conectados ao mundo, mas desconectados de si mesmos; informados, mas sem saber quem são; expostos, mas incapazes de decifrar suas emoções.
Ir. Márcia Koffermann, FMA / Foto: iStock/Pheelings Media

No dia 30 de outubro de 2025, o Papa Leão XIV proferiu um discurso significativo aos estudantes durante o Jubileu do Mundo Educativo. O Pontífice retomou o Magistério do Papa Francisco que, há cinco anos, havia proposto o “Pacto Educativo Global”, no qual foram apresentados sete compromissos: colocar a pessoa no centro de cada processo educativo; ouvir as gerações mais novas; promover a mulher; responsabilizar a família; abrir-se à acolhida; renovar a economia e a política; e cuidar da casa comum.

A estes sete, o Papa Leão soma mais três compromissos fundamentais:  cultivar a vida interior, humanizar o ambiente digital e promover uma verdadeira educação para a paz. Esses três caminhos oferecem uma chave de leitura especialmente fecunda quando colocados em diálogo com a pedagogia salesiana, que desde os tempos de Dom Bosco busca formar jovens capazes de viver com sentido, responsabilidade e esperança.

Cultivar a vida interior
O Papa parte de um pedido dos próprios jovens: “Ajudai-nos na educação da vida interior”. Em um tempo marcado pela pressa, pela dispersão e pela dependência das telas, a interioridade tornou-se um terreno negligenciado. Muitos jovens vivem conectados ao mundo, mas desconectados de si mesmos; informados, mas sem saber quem são; expostos, mas incapazes de decifrar suas emoções.

Educar para a vida interior significa restituir ao jovem a capacidade de silêncio, de profundidade e de diálogo consigo mesmo e com Deus. Essa busca está profundamente em sintonia com o Sistema Preventivo Salesiano, uma pedagogia que “toca o coração”, ajudando cada jovem a descobrir seu desejo mais verdadeiro e a orientar a própria vida para “o alto”, como repetia São Pier Giorgio Frassati, citado pelo Papa.

Não podemos ignorar a crise socioemocional que assola nossos adolescentes jovens. Cada vez mais encontramos jovens com problemas psicológicos das mais diversas naturezas, muitos não conseguem identificar um sentido para a própria vida e o vazio existencial é impedimento para o desenvolvimento integral das novas gerações. Nossos itinerários educativos precisam contemplar essa realidade e buscar caminhos fecundos de acompanhamento e orientação para a vivência da plenitude da vida.

iStock / Yuliia Kaveshnikova

“Muitos jovens vivem conectados ao mundo, mas desconectados de si mesmos.”

Humanizar o ambiente digital
O segundo desafio é a educação digital. O Papa não demoniza a tecnologia, mas alerta: “Não permitais que o algoritmo escreva a vossa história”. A cultura digital molda comportamentos, desejos e relações, e por isso exige critérios éticos e humanos. Ser presença nos pátios digitais hoje é um desafio e uma urgência.

Dom Bosco utilizaria sem medo as redes sociais, vídeos e plataformas interativas para educar e evangelizar. Embora exista uma série de elementos que requerem atenção em relação ao mundo digital, não podemos simplesmente ignorar a importância desses espaços. É preciso educar para o uso equilibrado e consciente das mídias digitais e, ao mesmo tempo, fomentar o uso saudável para promover a vida e humanizar as relações.

Educação para a paz
O terceiro desafio é a educação para a paz. Em um mundo ferido por polarizações e discursos agressivos, inclusive nas redes sociais, o Papa convida os jovens a serem artífices de paz, construindo relações respeitosas e acolhedoras. A Pedagogia Salesiana, com seu clima de família e sua ênfase no diálogo e na alegria, oferece um caminho pedagógico profundamente pacificador. Educar para a paz significa desarmar o coração, promover vínculos, educar para a escuta e o diálogo respeitoso. Significa ainda combater as formas de violência que se espalham tanto nas ruas quanto no universo digital.

Esses três compromissos fundamentais propostos pelo Papa Leão XIV, integrados aos outros sete já explicitados pelo Papa Francisco, constituem um caminho educativo capaz de desenhar novos mapas de esperança. São perspectivas que apontam possibilidades de ação concreta na tarefa de educar as novas gerações e que permitem sonhar com um mundo mais humano e em consonância com o projeto do Reino de Deus para a humanidade.

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