Iniciemos pelo conceito. A diversidade é uma amplitude de variedades, perspectivas e expectativas que inclui: raça, gênero, idade, origem étnica, orientação sexual, habilidades físicas e mentais, formação cultural e familiar. A sociedade não é homogênea; nela há minorias, grupos humanos que estão presentes e, ao mesmo tempo, que muitos querem ignorar. Há também os grupos majoritários, que se impõem pela questão econômica, educação, privilégios, poder, profissionalização, clãs familiares poderosos.
Tudo isso forma o conjunto heterogêneo da diversidade social, inclusive religiosa. O Censo 2022 trouxe vários aspectos dessa diversidade que, pastoralmente, precisamos saber ler com criticidade e análise sistêmica, para evitar uma avaliação meramente estatística e até pessimista ou otimista demais. É bom salientar que a diversidade forma para a comunhão.
O Brasil, palco da diversidade
O nosso país é um encontro e desencontro de diferentes proveniências. Temos aqui culturas étnicas de povos originários, pessoas de matriz africana, de matriz europeia. Não deixa de ser uma riqueza e um desafio social saber conviver com todo esse espírito diverso.
Uma única língua, com expressões bem características. Falamos português com seus “dialetos” nordestino, nortista, sulista e, dentro deles, outras expressões ricas de significado. O Brasil é um povo poliédrico. Segundo o Censo 2022, a população brasileira é de 203.062.512 habitantes, sendo 104,5 milhões de mulheres (51,5%) e 98,5 milhões (48,5%) de homens. No meio dessa diversidade estão os jovens entre 16 e 29 anos.
A religião no Brasil da diversidade
Os dados do Censo 2022 demonstram que, entre 2010 e 2022, os católicos foram reduzidos de 65,1% para 56,7% da população em 2022. Os evangélicos aumentaram 29,9%, os sem religião 9,3%, os espíritas, 1,8% e os adeptos do candomblé e da umbanda, 0,7%. No entanto, em 2022 os católicos ainda lideram, com maior concentração no Nordeste (62%) e no Sul (60,2%).
A maioria dos católicos se declara de cor branca. Os sem religião aumentaram de 7,9% em 2010 para 9,3% em 2022. Entre os jovens percebem-se a indiferença, o afastamento e o abandono gradual da prática religiosa católica; enquanto, com as pessoas maiores de 60 e 80 anos, se mantém em 72% a declaração da prática da religião católica.
O Censo também comprovou um recuo dos evangélicos nesses últimos anos, certamente devido à manipulação ideológica política e a uma certa frustração da teologia da prosperidade. O que está em curso atualmente é o projeto de domínio evangélico através da doutrinação de jovens e adultos na busca de poder em todos os âmbitos da sociedade. É preciso refletir com os jovens católicos o projeto pessoal de vida para terem uma bússola no meio de tanta diversidade.
A disparidade social no Brasil entre os jovens
É a constatação feita no Sínodo 2018: queremos, como Igreja, chorar porque a diversidade de classe social, cor e etnia, sexo, moradia, trabalho, exclusão atinge uma grande parcela das juventudes no Brasil. A “juventude é um dos grupos mais vulneráveis da sociedade brasileira que repercute na educação, no mundo do trabalho, povos originários, o desemprego, envolvimento com drogas, dificuldade de inserção no mundo do trabalho, a pornografia, a transmissão das DSTs, a violência nas cidades e nos aglomerados periféricos, o suicídio, o acesso limitado ao esporte, atividades lúdicas e a exclusão digital que afeta muitos jovens que se sentem à margem da sociedade e condenados ao silêncio forçado” (CNBB, Evangelização da juventude, 2007, n. 30-36).
O citado estudo da CNBB constatou que os jovens, sobretudo de classes mais vulneráveis, sentem três medos: medo de sobrar, porque o acesso ao trabalho é sempre difícil e desafiador; medo de morrer precocemente, porque estão expostos à violência de todos os tipos; medo de não estarem conectados, por isso o aumento espantoso do uso do celular, que vem em crescente entre os jovens.
Segundo o Censo 2022, 98,4%, dos estudantes da rede privada usam a internet, enquanto 89,4% da rede pública têm acesso. O pico do uso da internet está na casa dos 96% nas idades de 20 a 24 e 25 a 28 anos. Como evangelizar as juventudes num mundo conectado quase 24 horas por dia? O que pode atrair de fato? Eis o dilema para a nossa articulação pastoral.