A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em Belém, de 10 a 21 de novembro de 2025, tornou-se um palco significativo para a presença da Família Salesiana no debate global sobre crise climática, ecologia integral e justiça socioambiental. A participação salesiana ocorreu de forma articulada e ativa, reunindo religiosos, leigos, educadores e jovens, expressão concreta do carisma de Dom Bosco e Madre Mazzarello voltado à vida, à solidariedade e à esperança.
A delegação salesiana contou com membros da Don Bosco Green Alliance, iniciativa que reúne pessoas comprometidas com a ecologia integral segundo o carisma salesiano, e da Inspetoria São João Bosco (ISJB). Entre os participantes, destacam-se o padre Mathew Thomas, representante da Congregação Salesiana junto às Nações Unidas (Nova York), padre Silvio Torres, da Argentina, responsável pela articulação “Dom Green” na América Cone Sul e Camila de Paula, representando a Don Bosco Green Alliance pela ISJB.
Outro sinal dessa presença foi a participação do ex-aluno da Escola Salesiana Santa Teresinha, Netto Santos, de 29 anos, que foi selecionado para compor a delegação oficial do Brasil na COP 30, testemunhando que a formação recebida nos ambientes salesianos gera frutos para além dos muros das escolas e obras sociais, alcançando os espaços onde se constroem as decisões globais.
Painel sobre educação, impacto social e sustentabilidade
Um dos destaques foi a participação da Rede Salesiana Brasil, representada pelo professor Ary Barbosa Correia Júnior, em painel promovido pelo Instituto Selo Social, no qual foram discutidas experiências concretas de educação integral, impacto social e sustentabilidade. O espaço evidenciou que educar é também cuidar do planeta, promovendo uma cultura de responsabilidade, solidariedade e protagonismo.
Simpósio Internacional “Igreja Católica na COP 30”
No dia 12 de novembro, ocorreu o Simpósio Internacional Igreja Católica na COP30, que reuniu cerca de 500 lideranças de diversas regiões do Brasil e do mundo, com o intuito de refletir sobre ecologia integral, justiça climática e conversão ecológica. A mesa de abertura foi conduzida pelo arcebispo local, dom Júlio Akamine, além de jornalistas e representantes da hierarquia eclesial de vários continentes.
Na sequência, o painel “Diálogos pela Ecologia Integral” abordou temas como transição energética, economia justa, proteção dos povos originários e os impactos da mudança climática. A Don Bosco Green Alliance esteve representada por Camila de Paula, que sublinhou a urgência de uma conversão ecológica profunda, com mudanças de estilo de vida e compromisso concreto com toda a criação.
Mobilização pública: marcha por justiça climática
Um dos momentos maismarcantes da COP 30 foi a marcha pelas ruas de Belém, convocada por movimentosda sociedade civil, povos originários, ambientalistas e entidades religiosas. Adelegação salesiana participou ativamente, unindo-se à voz coletiva que clamavapor justiça climática, respeito à Amazônia e aos seus povos, e decisõesconcretas em favor da vida. Para o padre Mathew Thomas, esse foi um “momentohistórico de democracia climática”, com grande densidade simbólica e profética.
O padre Silvio Torresressaltou que a marcha, embora não estivesse na agenda formal da conferência,representou a “voz da sociedade civil sem filtros”, um grito de quem espera pormudanças reais e urgentes.
Por que a presença salesiana importa?
A participação salesiana na COP 30 não foi mera representação institucional: expressa a convicção de que fé e compromisso socioambiental caminham juntos. Como lembrou a Don Bosco Green Alliance, trata-se de ampliar a percepção da crise climática, compreendendo-a não apenas como uma urgência ambiental, mas como uma questão ética, social e espiritual, um chamado à conversão ecológica, à solidariedade e ao cuidado com os mais vulneráveis.
Além disso, a presença de jovens, ex-alunos e representantes leigos reforça a aposta salesiana na juventude como protagonista de transformação. A mobilização em Belém exemplifica como a educação, a espiritualidade e a práxis podem convergir para gerar impacto real, local e global, em favor da dignidade humana.
Para o padre Mathew, o desafio agora é transformar o que foi vivenciado em Belém em ação contínua nas escolas, obras sociais, paróquias e comunidades salesianas: “Não basta estar aqui; precisamos levar essa consciência de volta para nossas realidades e formar cidadãos que cuidem da Casa Comum com responsabilidade e esperança”.
Caminhos para a missão salesiana
A experiência da COP 30 desafia a Rede Salesiana Brasil a integrar ainda mais a dimensão ecológica nas suas obras: fortalecer projetos como o Projeto Salê Sustentável, ampliar a educação para a sustentabilidade em todas as etapas formativas, protagonizar redes de diálogo e ação com a sociedade civil e promover a conversão ecológica comunitária.
Mais do que um evento, a COP 30 aponta para que salesianos e salesianas vivam o compromisso com a criação como parte inseparável de sua fé e sua cidadania.