O Sínodo dos Jovens, convocado pelo Papa Francisco, em 2018, no Vaticano, foi de intensa participação e abertura à diversidade juvenil. O Papa, na Exortação Apostólica decorrente do sínodo, afirma: “Jovens, ficarei feliz vendo-vos correr mais rápido que os lentos e os medrosos” (Christus Vivit, n. 299).
Para traçar uma pastoral juvenil articulada é preciso “suscitar e acompanhar processos, não impor percursos, pois o tempo é superior ao espaço” (Christus Vivit, n. 297). Encontro aqui um caminho para ajudar os jovens nesta corrida, sempre a partir do projeto pessoal de vida, investindo em processos de transformação. Eis, assim, um dos ganchos para tratar sem medo e sem preconceitos a questão da diversidade juvenil.
O que é a sinodalidade?
Papa Francisco, em 2021, no discurso de abertura do processo sinodal, disse com clareza que o Sínodo não seria uma formalidade, um fazer por fazer uma Assembleia; não seria, tampouco, uma abstração intelectual, um espaço exclusivamente para defender teses e produzir textos sobre o tema; muito menos um motivo para imobilidade, ou seja, “tudo permanecerá como sempre”.
Francisco tinha claro que o processo sinodal, inicialmente agendado para 2021 a 2023 e que depois se alargou até 2024, precisa ser uma virada eclesial importante para a Igreja. A visão da Igreja na mente de Francisco era como a imagem do Sínodo dos Jovens: “correr mais rápido que os lentos e os medrosos”.
Tanto o Sínodo dos Jovens, como o processo sinodal em curso, são um modo da Igreja ser: caminhar juntos, pensar juntos, avançar juntos, numa Igreja sempre viva, profética, discípula e missionária, como bem afirma o Documento Final (DF): “engajamento numa animação como missionários da sinodalidade dentro das comunidades de onde viemos que exige consulta e discernimento, ou seja, um chamado claro à conversão” (DF, 9).
Sinodalidade e juventudes no projeto de vida
Papa Francisco alertava, e tinha razão, quando dizia que “propor um manual ou guia prático pastoral é algo inútil” (Christus Vivit, n. 204). Por isso, a Pastoral Juvenil precisa adquirir flexibilidade e chamar jovens a eventos que, de vez em quando, lhes ofereçam um lugar onde não só recebam formação, mas que também lhes permitam “compartilhar a vida, celebrar, cantar, ouvir testemunhos reais e experimentar o encontro comunitário com o Deus vivo” (Christus Vivit, n. 204).
A Pastoral Juvenil, portanto, para ser sinodal, precisa formar um caminhar juntos em respeito aos diversos carismas numa Igreja participativa e corresponsável (Christus Vivit, n. 206).
Sinodalidade na busca e no crescimento das juventudes
No Sínodo dos Jovens, Papa Francisco colheu duas experiências para a Pastoral Juvenil mais profética. A primeira é a busca, ou seja, a convocação, o chamado, a atração, cujos protagonistas precisam ser os próprios jovens. A segunda é o crescimento, quer dizer, um caminho de desenvolvimento e amadurecimento da fé e das relações.
É importante que, nessas experiências, os jovens percebam um caminho de encontro com Jesus Cristo que toque o coração em profundidade e não fique na superfície como um verniz, como bem profetizava São Paulo VI na Evangelii Nuntiandi. É preciso ter uma evangelização libertadora, quer dizer, “ela não pode ser limitada à simples e restrita dimensão econômica, política, social e cultural; mas deve ter em vista o homem todo, integralmente, com todas as suas dimensões, incluindo a sua abertura para o absoluto, mesmo o absoluto de Deus; ela anda portanto coligada a uma determinada concepção do homem, a uma antropologia que ela jamais pode sacrificar às exigências de uma estratégia ‘qualquer, ou de uma ‘práxis” ou, ainda, de uma eficácia a curto prazo” (EM, n. 33).
Sinodalidade e encontro com Jesus Cristo
É importante que cada jovem seja acompanhado para descobrir na própria vida o chamado de Deus. Infelizmente, há desencontros na vida de muitos jovens, ausência de orientação espiritual, perdas de oportunidades positivas para o projeto pessoal de vida. No entanto, o encontro com Jesus, através do querigma, do anúncio, é fundamental para que os jovens, em comunhão com a vivência comunitária, encontrem o sentido profundo da própria vida e do chamado que o Senhor pede a cada um.
Deus chama a uma história de amor, de felicidade, de superação, de entrega. O processo de escuta sinodal educa para escutar tanto os outros como a si mesmo no silêncio fecundo que faz ecoar na vida interior a voz do Senhor que diz: “Tenho sede”. Por conseguinte, a vocação não é um chamado que se fecha em interesses pessoais, mas que abre o coração do jovem para a resposta generosa ao serviço social, eclesial e missionário.